Bruno Fagundes relembra agressão sofrida na rua por ser gay: ‘Meu pai nunca ouviu da minha boca essa história’

Por medo da opinião pública, Bruno Fagundes demorou a se assumir como um homem gay, ele diz. Ao assumir a carreira de ator, ele revela que foi orientado ainda por empresários, diretores e até os próprios pais, Antônio e Mara Fagundes, a não revelar a orientação sexual. Hoje, o jovem, de 33 anos, reconhece que as falas dos que amavam vinham também de um lugar de “vítimas de uma questão estrutural”.

“Hoje, ao falar publicamente, sei que posso ajudar os outros, mostrando que nosso desejo não tem nada de errado ou vergonhoso. Percebi que sentia atração por pessoas do mesmo sexo por volta dos nove anos de idade. Mesmo vindo de uma família de artistas, demorei a verbalizar minha orientação e, quando aconteceu foi bastante conturbado. São pais, né? A reação dos dois foi parecida: primeiro, a surpresa, depois a confusão e, aí sim, veio a aceitação. Não aconteceu de imediato”, relembra Bruno Fagundes, em depoimento à “Veja”.

Ainda assim, o artista não se viu imune ao preconceito. Anos atrás, ele revela que foi alvo de agressões por parte de um grupo de homofóbicos, enquanto andava na Avenida Paulista, em São Paulo. Deixou traumas.

“Eu e dois amigos fomos atacados por um grupo de skinheads à noite, em plena Avenida Paulista. Do nada, recebi um soco na nuca, um chute nas costelas e comecei a ser espancado. Fiquei todo machucado e só não ocorreu o pior porque conseguimos correr e nos abrigar em um prédio. O chocante é que passavam pelo local motoristas que, no lugar de fazer alguma coisa, gritavam: ‘Mata, mata esses veados’. Tinha uns 20 anos e meu pai nunca ouviu da minha boca essa história. Só consegui falar sobre o assunto no ano passado”.