
A cena, registrada em câmera, do médico Claudio de Oliveira tentando agarrar uma funcionária de uma UPA no centro de Adrianópolis (PR) não foi um episódio isolado. À polícia, a vítima, uma assistente administrativa da unidade, narrou uma rotina constante de assédio, que envolvia até pedidos para viajarem juntos. Por causa da situação, ela contou que se sentia “desconfortável” e evitara falar ou “ficar perto” do médico.
A importunação sexual, que resultou na prisão em flagrante de Oliveira, aconteceu no último dia 10. Imediatamente após o ocorrido, a vítima procurou uma colega, técnica de enfermagem, que acionou a polícia. Depois de ser preso, Oliveira foi solto pela juíza Elisa Matiotti Polli, que determinou medidas cautelares, como proibição de manter contato com a vítima e recolhimento domiciliar noturno. No entanto, na decisão ela afirmou que “inexistem motivos plausíveis para a manutenção da prisão cautelar” e agora ele responderá em liberdade.
No depoimento aos policiais, a vítima disse que conheceu o médico logo no início de sua chegada à UPA, há cerca de um mês. Como ele não sabia “mexer no sistema” da unidade, seu chefe pediu para ela auxiliá-lo.
“Desde o início Claudio ficava falando que a declarante era bonita; que várias vezes ele disse que queria alguém como a declarante ao seu lado e dizia que gostaria que a declarante fosse viajar com ele”, como consta nos autos do processo.
Diante da situação, a vítima respondeu que ficava quieta e evitava falar ou chegar perto dele. Mas, no dia 10, por volta das 13h05, ela foi tentar abrir uma porta do hospital, como narrou no depoimento, e quando voltava pelo corredor, Claudio a abordou e disse novamente para eles viajarem juntos. A vítima, então, desviou o olhar e continuou andando, mas Claudio a agarrou e tentou beijá-la na boca. Ela conta, porém, que Claudio de Oliveira conseguiu beijar apenas seu rosto, “próximo à boca”, pois ela virou o rosto.
Depois da audiência de custódia, a juíza Elisa Matiotti Polli determinou as medidas cautelares e o pagamento de uma fiança de R$5 mil para que Oliveira fosse solto. No alvará de soltura, porém, está registrado que ele foi solto “sem fiança”. Procurado, o Tribunal de Justiça do Paraná não soube responder o motivo.
As medidas cautelares estabelecidas foram: Ordem para se manter duzentos metros distante da vítima, bem como a proibição de contato por qualquer meio; Comparecimento mensal em juízo para informar e justificar atividades; Proibição de ausentar-se da Comarca quando a permanência seja conveniente ou necessária para a investigação ou instrução; Recolhimento domiciliar no período noturno das 22h às 06h e nos dias de folga.
No processo, o Ministério Público do Paraná solicitou o afastamento do médico de suas funções e acionou os Conselhos Regionais de Medicina, do Paraná e de Santa Catarina, onde ele vivia antes, para que seu CRM fosse suspenso.
Apesar da Polícia Civil do Paraná ter informado que Oliveira já teve outras 57 passagens pela polícia – incluindo uma prisão por homicídio de acordo com o delegado Mario Bradock – ele não tem nenhuma condenação transitada em julgado. Por isso, a juíza afirmou, na decisão, que o médico não possui “antecedentes criminais”, o que pesou para a não manutenção da prisão preventiva.