Swing: Prática de sexo entre casais ganha força entre quem quer quebrar a rotina, mas exige maturidade e diálogo

O número de adeptos do swing, o sexo entre casais, tem aumentado no Brasil. A plataforma Sexlog, uma espécie de rede social focada em encontros sexuais entre casais, chegou a 18 milhões de usuários no ano passado, 28% a mais do que em 2021. Na região Norte, o Pará foi o estado que teve maior crescimento comparado no mesmo período: 3,96% equivalentes a 48 mil novos usuários paraenses. E o aumento vai além da internet. Fernando, que gerencia uma casa de swing em Belém, conta que notou um aumento de 50% na procura pelo local. “Minha avaliação é que após a pandemia, os desejos e curiosidades das pessoas ficaram mais aguçados. Muita gente assistiu muitos vídeos em casa, mergulhou em coisas novas e agora quer realizar essas fantasias”, aponta. A reportagem usou nomes fictícios para preservar a identidade dos entrevistados.

Carlos, que também comanda uma casa do mesmo ramo na capital paraense, estima um crescimento de 60% no número de clientes no último ano. “Como estamos há muito tempo no ramo, os frequentadores comentam com os amigos interessados que podem ingressar no mundo liberal. A gente se surpreende ao ver como este meio é grande, pois todo final de semana conhecemos dez ou até vinte casais novos”, conta.

Começar no swing exige diálogo

A psicóloga e sexóloga Mônica Moura lembra que a base do sexo é a curiosidade e uma das maiores questões que os casamentos enfrentam é a falta de curiosidade e mistério, que resulta em monotonia. Enquanto a paixão se alimenta de surpresas e incertezas, o amor dá estabilidade e segurança. “Então quanto mais a gente ama, menos sentimos paixão. Quando me sinto dono do outro, não inovo, não tenho frio na barriga”, reflete. Segundo ela, o swing aparece para mostrar que o parceiro não está 100% conquistado e que ninguém é dono de ninguém. A vontade de experimentar relações sexuais com outras pessoas, porém, não deve ser confundido com o fim do amor.