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Cresci me sentindo feia, inferior e sem nenhuma autoconfiança e hoje ajudo a resgatar a autoestima das mulheres’

Cresci me sentindo feia, inferior e sem nenhuma autoconfiança e hoje ajudo a resgatar a autoestima das mulheres’

A empresária capixaba, Franciely Moreira Fazolo, de 37 anos, nasceu em Castelo, no interior do Espírito Santo onde, desde a infância, sofria bullying, olhares tortos e preconceito devido ao seu tom de pele ser diferente dos seus pais e irmãos. Muitos a achavam com a pele ‘escura’ demais para pertencer a uma família de descendentes de italianos.

Com isso, durante toda a adolescência, sua autoestima foi ficando cada vez mais abalada e diminuída, fazendo com que não quisesse mais sair com as amigas, se arrumar, nem ter mais nenhuma vaidade.

Francielly cresceu, se fortaleceu, ressignificou tudo isso, passando a se olhar de forma diferente, com empatia, passou a se amar e, sobretudo, a se aceitar como é. Foi quando começou a empreender, criando do zero, uma marca de maquiagens e cosméticos femininos para realçar a beleza da mulher brasileira, tendo ela múltiplas cores, tons de pele e texturas de cabelo.

Seu maior compromisso e lema de vida é poder acolher essas mulheres, lhes proporcionando, através das maquiagens, um resgate da autoestima, muitas vezes esquecida e abalada, tal como ela mesma vivenciou e, literalmente, sentiu na sua pele

“Nasci no sul do Espírito Santo, em 1985, em uma cidade do interior chamada Castelo. Meu pai é descendente de italiano e minha mãe, a típica brasileira com mistura de raças. Sou a mais velha de três filhos. Tive uma vida bem simples na minha infância, onde minha mãe fazia biscoitos para vender e meu pai trabalhava de vendedor no balcão de uma loja de material de construção.

Quando eu tinha sete anos, com a ajuda da minha avó, que me colocava sob uma mesa na calçada em frente de casa, me lembro que eu pegava alguns brinquedos meus, colocava preço e brincava de vendinha. Vendia para os que passavam na rua. E vendia tudo!

Já me sentia empreendedora desde menina, mesmo sem nem conhecer ainda o que significava essa palavra. Hoje, ela faz todo sentido para mim e entendo esse sentimento genuíno de querer empreender. Quando completei oito anos, meu pai começou a empreender e prosperar, montando seu próprio negócio. Sempre tive muito orgulho de como ele cresceu e empreendeu começando, assim, do zero. Eu sendo a filha mais velha, vi de perto e acompanhei toda essa mudança financeira em nossas vidas.

também, como o preconceito disfarçado de educação: ‘nossa, como ela é escurinha’, ‘você é filha mesmo dos seus pais ou foi adotada?’, ‘você nasceu de noite?’ Pois pasmem, até isso já ouvi! Óbvio, que me retraía ainda mais, me sentia triste, inferiorizada, com vergonha. Me sentia tão feia e inferior, que nem queria me arrumar mais para sair como as minhas colegas, acabei esquecendo de ter vaidade. Nessa idade, a maioria das meninas querem sair, se arrumar, se maquiar, se enfeitar, quando eu só queria, cada vez mais, me esconder do mundo e ficar só em casa, por me sentir feia e inadequada para aquele lugar onde vivia. Meus pais nunca souberam de nada, guardava tudo aquilo que ouvia só para mim. Nunca falei nada disso com eles, pois não queria que eles também se sentissem tristes ou inferiores por eu ter passado por aquilo e, conhecendo bem a minha mãe, sabia que ela iria lá na escola tirar satisfação para me defender. E aí sim, minha vergonha seria maior. Então, aguentava tudo calada.

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