
A capela 1 do Cemitério Memorial do Rio, em Cordovil, recebeu a família de Anne Caroline Nascimento Silva, de 23 anos, nesta segunda-feira. A jovem foi morta a tiros por agentes de uma blitz da PRF no sábado, quando voltava de um jantar de comemoração aos sete anos de relacionamento com Alexandre Roberto, de 32 anos. A sala com poltronas em couro e ar-condicionado era pequena para acolher as dezenas de pessoas presentes no velório, indignadas com a morte precoce da estudante.
— Isso foi execução. A polícia não segue nenhum protocolo. Como pedem para um veículo parar e atiram antes disso acontecer? Eu já tinha dado seta, não precisavam ter feito isso — lamenta Alexandre.
Anne Caroline era estudante de enfermagem e trabalhava em uma loja de venda de celulares. O casal, junto há sete anos, costumava comemorar o aniversário da união. No sábado, quando voltavam de um restaurante por volta das 22h, os dois encontraram agentes da PRF na Washington Luiz, em Duque de Caxias. De acordo com Alexandre, os agentes pediram para o veículo parar, mas, antes que ele pudesse fazê-lo, os policiais “descarregaram a arma no carro”.
— Os furos estão lá, os tiros estão todos no meu carro. Meus dois filhos estariam com a gente no jantar. Imagina o que mais poderia ter acontecido caso estivessem juntos
Entenda o caso
Estudante de enfermagem, Anne Caroline estava com o marido, Alexandre Melo. O casal voltava de uma comemoração pelos sete anos de relacionamento quando o Jeep Renegade foi abordado por agentes da PRF. À família da vítima, Melo contou que quando ele se preparava para parar numa agulha da pista, o veículo foi atingido por dez tiros. Apenas a jovem foi baleada.
Após ser atingida, Anne foi levada pelo marido, com a ajuda dos policiais, para o Hospital estadual Getúlio Vargas, na Penha, Zona Norte do Rio, mas já chegou à unidade sem vida.