Mais de dez hotéis estão à venda em Natal, a maioria deles em Ponta Negra, revela presidente da ABIH

Não adianta ficar chorando o leite derramado. Aliás, chora Bolsonaro, chora Rogério Marinho e metade do Brasil. Ou é 8 ou 80 — Uma hora grita, esbraveja e agora apenas lágrimas. A direita vem sendo sucateada e perde terreno indiscutivelmente desde o resultado das eleições para presidente. Não vamos perder tempo nas variáveis que não podemos mudar, ok? Devemos nos ater aos fatos que podemos ou poderíamos controlar. Esqueçamos o STF e se houve ou não manipulação nas eleições. Pelo menos por enquanto.

Como estava dizendo, desde a redemocratização até hoje perdemos muito mais do que ganhamos. Culpamos o assistencialismo da esquerda? O sistema? Não interessa! Perdemos mais uma eleição! Não acha que precisamos repensar as estratégias da direita, pra ontem? Afinal, só de legislativo não se governa um país. É preciso eleger um presidente pois mesmo com a divisão dos poderes, é quem pode escolher os rumos do país, como a escolha de ministros do STF e o procurador geral da república, por exemplo.

Todos sabemos que na eleição que Bolsonaro venceu em 2018, foi muito mais pela fragilidade do PT devido à Lava-jato do que por mérito próprio. Da mesma forma, a vitória de Lula foi decorrência de uma incrível sequência de desacertos cometidos pelo então presidente e sua base.

Quem esquece a descontrolada Zambelli correndo pelas ruas com uma arma na mão na véspera da eleição? Zambelli fez o L! Roberto Jefferson fez o L! Quando cometeu a insanidade de atirar na Polícia Federal, assustando toda uma nação. Ou seja, o radicalismo empurrou os indecisos a votarem na esquerda. Bolsonaro não deveria ter chamado o ministro do STF de canalha; nem ter brigado com a mídia nem ter blefado que tinha o exército ao seu lado — a cúpula verde oliva nunca esteve disposta a uma intervenção. Arriscou sem lastro, sem ter as costas largas e botou a perder o projeto da direita. Foi traído de última hora? Penso que não. Lembre que Hamilton Mourão sempre falou que intervenção nunca seria cogitada. Pois bem, quem é que não sabia que Bolsonaro seria cassado e preso se perdesse as eleições? Todos sabíamos mas foi melhor agir pela pura emoção. Adiantou?

— Se acalme que precisamos refletir e apanhar os baldes chutados.

Retomando o raciocínio, um dos últimos desatinos foi ver os deputados atacando o Tarcísio de Freitas por ele ter apoiado a reforma tributária. Essa nossa irresistível vontade de combater veementemente o que achamos errado vai nos levar onde? Logo após o posicionamento moderado de Tarcísio de Freitas, grandes empresários apreciaram sua ação. Ora, ora, é possível eleger presidente somente com a direita raiz? Não, nem Bolsonaro conseguiu. Se não é possível eleger nenhum presidente com radicalismos, costurar é preciso. É reconfortante e estimulante demais apenas ouvir o que queremos mas isso não vai adiantar. Temos que dar espaço ao contraditório pois ele vota — E pode fazer a diferença.

Quem se beneficia ainda com essa polarização são aqueles que conseguem se eleger com esse percentual da direita raiz como vereadores, deputados e alguns senadores. Taí a explicação porque eles estimulam tanto essa parte do eleitorado — simplesmente porque se elegem com esses votos. Esses candidatos estão mais preocupados com suas eleições do que com as majoritárias. Presidente não se elege assim. Quem esquece dos deputados visitando quartéis e colocando lenha numa fogueira sem fogo? Eles sabiam que não teria intervenção mas insistiam nessa narrativa apenas para se destacarem no eleitorado que ansiava por isso. Todos nós recebemos uma enxurrada de mensagens com narrativas que a onça iria beber água… Tic-tac, tic-tac!

Outra coisa, quem pode ter decidido a eleição foram os “isentões”. Quem diria, hein? Você não lembra que a vitória foi apertadíssima, com uma diferença de menos de 2% dos votos? Observe bem, quem estava em cima do muro foi justamente o eleitor que decidiu qual lado ganharia a eleição — em setembro/22 o percentual de indecisos era de 10%. A direita não deveria ter combatido os “isentões”. Será que criticando e atacando os indecisos, eles se sentiriam atraídos pelas propostas da direita? Não seria melhor ter feito lives nas redes sociais convidando os indecisos a conhecer mais amplamente os projetos e tranquilizar seus medos? Chamar alguém de “isentão” já é por si só uma crítica antipática, e não me recordo da esquerda chamar ninguém assim.

As redes sociais trouxeram muitos benefícios, como a democratização da informação, mas também têm seu lado negativo como propagação de fake news por todos os lados e o surgimento de bolhas onde todos só toleram escutar opiniões alinhadas à sua. Isso gera intolerância e faz parecer que se alguém não concorda 100% contigo, deve ser seu inimigo. Pensando numa eleição, se afastarmos totalmente os indecisos, tudo bem? Não, não fica nada bem pois precisamos deles para vencer eleições. Se tivesse fraude mesmo, ninguém precisaria tornar Bolsonaro inelegível.

— Você vai continuar insistindo na fraude das eleições? Isso vai levar a direita para onde? Para a cadeia?

Futuros candidatos a deputado não deixaram nunca essa narrativa morrer, bem como, mídias que vivem para atrair essa parte da audiência. Vamos analisar. Continuando, como nosso país é governado mais pelos erros do que pelos acertos dos governantes, seguimos acompanhando as trapalhadas do executivo. Agora, chegou a vez de Lula trabalhar para que a direita volte ao poder. Claro! Após os últimos desmandos do presidente, como, por exemplo, dizer que tinha orgulho de ser chamado de comunista, ele começa eficientemente a afastar todos os eleitores do centro e centro-esquerda. Ou seja, quem não é PT/Psol raiz rejeitou essa narrativa. Tanto é que a pesquisa da Quaest mostrou que 75% das menções nas redes sociais foram contrárias à fala de Lula no Foro de São Paulo — Foi um verdadeiro “Fora” de São Paulo, hein? É Lula chamando o Mito quando recebe Maduro com narrativas estapafúrdias; é Lula balançando a bandeira da direita quando coloca o amigo Zanin no STF ou quando defende emprestar dinheiro do BNDES à Argentina, ou ainda, quando articulou para Dallagnol ser cassado. A mais recente é a descriminalização da maconha — que viagem. Felizmente, tornar Bolsonaro inelegível não impede a direita de voltar ao poder. A alternância de poderes é uma necessidade na democracia.

Merece nossa atenção especial o alinhamento total do Brasil com países ditatoriais como Rússia, China, Irã e Venezuela. Estaríamos nos unindo aos países do novo eixo? Seria um aviso de que, se a situação ficar difícil para a esquerda, Lula chamaria seus amigos e instalaria uma ditadura?

— Direita, volver!

Está na hora de surgir um novo líder para a direita que, aprendendo com os erros do passado, possa dar uma guinada para a direita com planejamento e assertividade. Tarcísio de Freitas? É sensato, racional e vem provando ter capacidade para fazer a diferença.

Bem, a verdade é que o Brasil segue à deriva como um barco em águas turbulentas, balançando perigosamente entre a esquerda e a direita. Enfrentamos o risco iminente de naufrágio, e muitos estão se lançando ao mar em botes salva-vidas para viver no exterior. Aqueles que permanecem resistem aos enjôos e vômitos, na esperança de que o próximo comandante restaure o equilíbrio de nossa embarcação — alguém centrado que navegue nas águas calmas da prosperidade.

Marcus Aragão.
Instagram @aragao01