Nicola Siri fala sobre militância de padre Pedro e explica retorno à TV com Lavinia Vlasak

Nicola Siri, padre Pedro

De vez em quando, entre as notas do saxofone de Téo, personagem de Tony Ramos em Mulheres Apaixonadas (2003), é possível ouvir a voz de Tiziano Ferro. Se você não sabe, esse é o nome do cantor italiano que interpreta a canção Imbranato, nona faixa do CD que reúne a trilha sonora internacional da novela de Manoel Carlos. Ainda não está reconhecendo a música? Scusa se ti amo e se ci conosciamo. Se você assistiu ao folhetim, imediatamente pensou no casal icônico vivido por Nicola Siri e Lavinia Vlasak. Hoje, 20 anos após a exibição a original da novela, o ator ainda é lembrado pelo seu personagem de estreia na TV brasileira.

Em conversa com a coluna Gabriel Sorrentino – EM OFF, Nicola Siri falou sobre o sucesso de padre Pedro, cuja história polêmica está sendo reprisada no Vale a Pena Ver de Novo. “Impressionante como passa rápido o tempo… Realmente, se passaram 20 anos desde a estreia de Mulheres Apaixonadas. Na verdade, eu comecei a gravar no meio de dezembro de 2002. Então, pra mim, como período de trabalho mesmo, é até mais do que 20 anos…“, analisou o ator. Em seguida, ele voltou a falar sobre o par de Estela: “Eu acho que realmente foi um papel que marcou demais. Apesar de depois de ter feito muitos papéis, ter vivido muitas vidas de outros personagens, padre Pedro continua bombando. O eterno padre Pedro“.

Nicola e Lavinia juntos na TV?

No último dia 25, Nicola Siri deu o que falar ao postar uma foto em um camarim dos Estúdios Globo ao lado de Lavinia Vlasak. Imediatamente, seus seguidores ficaram ansiosos por um retorno às telas de seus personagens de Mulheres Apaixonadas. “AHHHHHH! Senhorita Estela e Padre Pedro 20 anos depois?! Vou chorar de emoção aqui! Kkkk“, escreveu um fã clube nos comentários. Outro, por sua vez, citou a famosa música do casal: “Já posso ouvir scusa si ti amo“. Acontece que Nicola Siri e Lavinia Vlasak gravaram uma participação para o quadro Tem ou Não Tem, do Caldeirão com Mion.

O programa com a dupla vai ao ar no dia 23 de setembro. O ator contou que, apesar de morar muito próximo da atriz, não a via há um certo tempo. Devido ao Caldeirão, portanto, pôde reencontra-la. “Mas a gente se encontra, infelizmente, pouquíssimas vezes. Contudo, a gente continua amigo, eu adoro a Lavinia, o marido, a família da Lavinia, os pais. Somos muito próximos mesmo, apesar de muitas vezes nossas agendas não coincidirem“, disse Nicola, abrindo o coração. Depois, ele acrescentou: “Quando a gente se reencontra é como se o tempo não tivesse passado. A gente continua brincando com muito afeto, muita estima, muita amizade um pelo outro“.

Padre Pedro militante

Em 2021, aliás, Nicola Siri viveu um padre bem diferente do que fez Estela, em Mulheres Apaixonadas, se apaixonar. Em Colônia, série que narra a história de uma instituição psiquiátrica mineira, o ator deu vida ao padre João, um religioso que se omitiu durante a ditadura militar. “Acho que não tem muita semelhança entre os dois. Padre João é um daqueles que se omitiram na época da ditadura, uma ditadura terrível, sangrenta, que o Brasil infelizmente viveu“, argumentou Nicola, que também expõe um contraponto: “Muitos padres, contudo, lutaram contra o regime ditatorial. Contra a tentativa de tirar a liberdade do povo“.

Para reiterar a imagem de padre ‘do bem’, Nicola volta a citar seu primeiro personagem na TV brasileira. “Atualmente, por exemplo, temos o padre Júlio Lancellotti, que acho realmente incrível. E enquanto isso, padre Pedro era um padre militante. Isso era muito claro. O Manoel Carlos e o Ricardo Waddington falavam o quanto era importante que o padre Pedro fosse um padre militante. Um padre que realmente tentou continuar a mensagem de Jesus de ajudar os pobres, os desfavorecidos, os caras que não tinham nada. Então, isso é tentar sempre promulgar a paz, o amor e ajudar os outros seres humanos.

Nicola Siri e Alexandre Nero

Padre Pedro realmente foi um boom. Quem viveu Mulheres Apaixonadas – ou simplesmente no Brasil durante a primeira exibição da novela – já ouviu falar sobre a história proibida do personagem de Nicola com Estela, vivida por Lavinia Vlasak. Aliás, até mesmo o imperador se sentiu honrado em contracenar com o intérprete do padre galã. “Fui chamado para viver um personagem em Império. Então, cheguei antes no set… Era uma externa, já tinha feito caracterização, teste de figurino… Estava meio que cochilando no ônibus“, contextualizou Nicola.

Em seguida, ele continuou a narrar: “De repente, chega o Alexandre Nero. Cara, ele levou um susto. Acordei um pouco assustado, já estava no segundo sono… Me levantei para me apresentar… Ele parou e disse: ‘Caraca, eu te conheço, você é o Padre Pedro, Nicola Siri. Que prazer“. Depois, ao relembrar a história inusitada vivida ao lado de Alexandre Nero, Nicola analisou: “Foi divertido. Acho que ele não sabia que eu ia fazer essa participação. Acho que foi um susto pra ele. Foi ótimo, a gente se deu super bem, foram cenas muito lindas. Adorei trabalhar com Alexandre Nero e toda a produção de Império“.

Pôncio Pilatos

Outro papel marcante na carreira de Nicola Siri foi Pôncio Pilatos, na novela Jesus, da Record TV. A história foi exibida no Brasil entre julho de 2018 e de abril de 2019. “Eu amei viver esse personagem. Realmente, acho um dos meus personagens favoritos. Eu trabalhei pra caramba pra tentar trazer a humanidade do Pilatos. O quanto foi difícil para um cara que não tinha nada a ver com aquele mundo, aquela época“, disse Nicola, que ainda argumentou: “Acho que fiz um bom trabalho. Amei quando Edgar Miranda me ligou pra dizer ‘Nicola, é você que tem que viver Pôncio Pilatos’. Eu amei”.

Para o trabalho – que bateu recordes de audiência na TV de Moçambique -, Nicola confessou que estudou bastante. Quando me reuni com o Edgar e com a diretoria da Record, falei que queria trazer o Pôncio Pilatos que está escrito nas páginas extraordinárias do livro de Mikhail Bulgákov, O mestre e Margarida. E ele amou essa referência“, contou o ator. Depois, ele continuou: “E eu mergulhei muito fundo dentro da vida do Pôncio Pilatos. Ao mesmo tempo estudei muito as referências históricas, os relatos e as referencias cinematográficas de Pôncio Pilatos“.

Preparação

Falando sobre a preparação para viver Pôncio Pilatos, Nicola Siri contou uma história inusitada. “Eu estudei por cinco anos grego antigo e latim e isso me serviu pra caramba. Na Itália, o segundo grau é muito focado também na história da Grécia Antiga e da latinidade, do Império Romano. Então, já tinha estudado pra caramba durante o segundo grau e, lógico, voltei a estudar ainda mais [durante a novela]“, compartilhou o ator. Segundo ele, o conhecimento prévio foi útil não apenas para compor o personagem. “Foi muito útil não só pra mim, porque todo mundo me perguntava referência e eu sou uma pessoa que sempre estudou muito, adoro a cultura, adoro a instrução, adoro o conceito de escola, de estudar. Foi ótimo para um monte de gente“, complementou.

Nicola jogador de futebol?

Apesar de ser um ator renomado, Nicola Siri nunca escondeu sua paixão que vai além da atuação: “Quando eu era pequeno, me perguntavam o que queria ser quando crescesse. Sempre respondi que queria ser ator e jogador de futebol. Aliás, em muitas vezes, nem nessa ordem. Muitas vezes eu falava jogador de futebol e ator“, contou o artista. Em seguida, ele continuou: “Sigo como o camisa 5 da seleção brasileira de artistas. Ganhei copas do mundo, taças, prêmios. Jogava na terceira divisão de futsal, sexta de futebol de campo. Jogava na seleção da minha região. Torneios na Itália toda. Campeonatos universitários. Agora, estou indo para a Itália para visitar minha mãe, minha família… Logicamente, nesse domingo, dia 3, estarei em um estádio assistindo ao meu time, Genoa Cricket and Football Club, o mais antigo da Itália“.

Críticas ao ex-presidente

Em alguns momentos ao longo da conversa com a coluna, Nicola Siri demonstrou sua insatisfação com o governo de Jair Bolsonaro, ex-presidente do Brasil. “Infelizmente, vivemos de novo agora essa ditadura terrível, essa tentativa de censura, esse descontrole em nome do ódio, da violência, contra a cultura, contra os livros. Me lembrou daqueles períodos miseráveis de Adolf Hitler, de Benito Mussolini, de Stálin, de Pol Pot, de Ceauşescu, de Mao Tze Tung, essas ditaduras terríveis e sangrentas…“, disparou o ator, que reiterou a importância de políticas públicas que defendam o setor artístico.

Agora, a partir do dia 1º de janeiro de 2023, a gente voltou a respirar. Nós voltamos a ter um Ministério da Cultura. Estamos voltando a fazer as batalhas pelos nossos direitos, pelos direitos dos artistas. Não vamos esquecer que direito autorial não é favor. A gente tem que justamente ser retribuído pelo trabalho que a gente fez“, defendeu Nicola. Para o artista, a atuação de Jair Bolsonaro no poder executivo fez com que o exterior olhasse para o brasileiro com outros olhos. “A verdade é que nesses quatro anos de governo do genocida, o Brasil ficou longe desse carinho. Desse amor também o que o público estrangeiro tinha pelo Brasil, afinal, estava muito mal quisto o brasileiro nos quatro anos desse governo”.

Sonho de Nicola Siri

“A democracia e a liberdade estão voltando aos poucos, o caminho ainda é longo, mas estamos voltando com a arte, com a cultura, com a instrução, com a empatia, que é a coisa mais importante“, celebrou Nicola Siri. Sem hesitar, ele reforçou: “Meu grande sonho é ver essa milícia toda presa. Que a história julgue esses quatro anos de desgoverno. Eles têm que pagar. Afinal, ensino aos meus filhos que as ações tem uma consequência. Matar 700 mil pessoas, propagar fake news têm consequências que podem ser gravíssimas“, denunciou.

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