De volta para o futuro, seleção brasileira inicia a 'era Diniz'

Diniz faz a preleção para o jogo contra a Bolívia, antes do treino em Belém — Foto: Vítor Silva / CBF

Com Fernando Diniz no comando, a seleção brasileira volta a se reunir em torno de um trabalho que foge às características do futebol forjado pela escola gaúcha. E isso, neste momento, é mais importante do que as especulações da própria CBF de Ednaldo Rodrigues sobre o acerto com Carlo Ancelotti para dirigir o time em 2024. Porque depois de 17 anos ininterruptos, o mais famoso símbolo do esporte nacional volta a estar nas mãos de um treinador que prioriza o futebol como espetáculo.

E aqui não vai nenhuma crítica a Dunga, Mano Menezes, Felipão e muito menos a Tite – nada disso. O futebol, como se sabe, é uma disputa estratégica por ocupação de espaços. E com diferentes formas para se alcançar o objetivo. Na escola gaúcha, os técnicos preconizam o “jogo físico”, sem abrir mão da arte. E não se pode negar o relativo sucesso de cada um deles em parte de seus ciclos, ainda que não produzissem encanto. Felipão, em sua primeira passagem, chegou a ser campeão do mundo.

Diniz faz a preleção para o jogo contra a Bolívia, antes do treino em Belém — Foto: Vítor Silva / CBF
Diniz faz a preleção para o jogo contra a Bolívia, antes do treino em Belém — Foto: Vítor Silva / CBF

Mas agora a perspectiva é outra. Acho até que desde a última era Telê Santana, entre 1985 e 86, não se tinha expectativas tão distintas. Diniz propõe um jogo mais artístico sem abrir mão do condicionamento físico. Costuma preparar seus times treinando à exaustão movimentos estratégicos e, independentemente do êxito, investe no cognitivo dos jogadores como se lapidasse metal precioso: a autoconfiança! Vem daí a boa fama de eficiente gerenciador de grupos competitivos.

Até dezembro, a seleção brasileira fará seis jogos pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2026. Tenho convicção plena de que se tudo sair como o esperado, Diniz acabará sendo incorporado à estrutura da CBF de forma definitiva, ainda que o acordo com Ancelotti seja de fato oficializado. Os jogadores se veem abraçados pela forma humanizada impressa pelo DNA do “Dinizismo”, e basta que a entidade tenha boa coordenação para colher não só os resultados como também mais empatia.

O novo treinador da seleção brasileira autografa a camisa de uma torcedora em Belém — Foto: Vítor Silva / CBF
O novo treinador da seleção brasileira autografa a camisa de uma torcedora em Belém — Foto: Vítor Silva / CBF

Aliás, neste sentido, ajudará bastante a postura adotada a partir da desconvocação de Anthony, do Manchester United, acusado de agredir e ameaçar a mulher. A CBF não pode é descobrir que um jogador convocado esteja há três meses sob a investigação da polícia. É preciso passar o pente fino do compliance antes de fechar a relação, e parece que, para evitar desconforto e exibir um mínimo de conexão com o mundo real, daqui por diante será desta forma. Melhor assim…