Depois de iniciativas para quitação de débitos em aberto, como o Desenrola Brasil e o mutirão Renegocia!, o percentual de brasileiros endividados recuou 0,7 ponto percentual em agosto, passando de 78,1% em julho para 77,4% no último mês. Apesar disso, a inadimplência ainda preocupa: 30% das famílias têm dívidas em atraso, com 12,7% delas reconhecendo não ter condições de honrar seus compromissos, o maior percentual desde o início da série histórica, há 13 anos.
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Os dados são da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), elaborada mensalmente pela Confederação Nacional do Comércio (CNC).
Em geral, o percentual de endividamento caiu ou ficou estável em todas as faixas de renda. No entanto, assim como em meses anteriores, quanto menor a renda, maior o número de débitos em aberto. Enquanto entre as famílias com orçamento de até três salários mínimos (R$ 3.960) a fatia de endividamento é de 79,1%, para quem ganha mais de 10 salários (R$ 13.200) essa fatia cai para 74,9%.
O cenário é o mesmo em relação à inadimplência, que atinge 37,9% das famílias que ganham até R$ 3.960, mais que o dobro dos 14,6% inadimplentes que ganham mais de R$ 13,2 mil. Já aquelas que reconhecem não ter como quitar dívidas atrasadas são 4,1% entre os de maior renda, e 17,5% quando consideradas apenas aquelas que ganham até três salários.
A pesquisa destaca que a queda da inflação e a melhora no mercado de trabalho formal ajudam o orçamento familiar, o que reduz a procura por crédito. No entanto, as famílias ainda encontram dificuldade de quitar os compromissos em aberto há mais tempo, por conta dos juros elevados.
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– A queda do endividamento é um sinal positivo de que mais famílias estão conseguindo controlar melhor suas dívidas e ajustar seus orçamentos. No entanto, a taxa de juros elevada e o crédito caro ainda são empecilhos à melhoria da situação financeira dos brasileiros – analisa o presidente da CNC, José Roberto Tadros.
Cartão de crédito lidera
Apesar de uma ligeira redução, o cartão de crédito segue como o grande vilão, sendo o principal responsável pelo endividamento de 85,5% das famílias. A fatia é ligeiramente menor que os 85,9% registrados em julho. Essa é a segunda queda consecutiva, colocando o indicador no menor nível em um ano. No entanto, em relação a agosto do ano passado, a proporção está 0,2 ponto percentual mais elevada.
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