Troca de comando na Polícia Civil: sai Fernando Albuquerque, entra José Renato Torres, cedido ao TCM há 16 anos

O comando da Polícia Civil do Rio irá trocar de mãos pela terceira vez na gestão do governo Cláudio Castro. No lugar do delegado Fernando Albuquerque, assume o colega José Renato Torres. O novo secretário da pasta estava cedido para o Tribunal de Contas do Município (TCM) desde julho de 2007 onde coordena o departamento de segurança da Casa. Nos bastidores, a razão principal da mudança foi política. A informação sobre a saída de Albuquerque e a escolha de Torres foi antecipada pelo Correio da Manhã e confirmada pelo Globo.

O convite a Torres será feito até segunda-feira e não será a única troca no Governo. Claudio Castro pretende criar uma nova secretaria das Cidades para reforçar a interação com municípios da região metropolitana e interior. O deputado Douglas Ruas (PL) filho do prefeito de São Gonçalo, Nelson Ruas dos Santos, o Capitão Nelson, foi o escolhido. Haverá mudanças também na secretaria estadual de Trabalho e Renda com a saída de Kelly Mattos. O deputado estadual Arthur Monteiro (Podemos) é o mais cotado.

Há cerca de uma semana, o governador já havia comentado com aliados próximos de que iria promover mudanças na secretária de Polícia Civil. Na terça-feira, por exemplo, Castro conversou sobre a escolha com o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (PL). Por coincidência, o governador também estava em Portugal na semana passada, na cidade do Porto. Torres também estava naquele país, na capital Lisboa, mas os dois não chegaram a se encontrar.

Segundo fontes do Palácio Guanabara, o inspetor aposentado Fernando Cezar Jorge Hackman, assessor da secretaria da Casa Civil, foi o responsável pela escolha do nome de Torres. Hackman é um dos idealizadores do Cidade Integrada, programa iniciado pelo Jacarezinho que tenta reduzir os índices de violência no estado. Um nome que chegou a ser cogitado também foi o do ex-chefe da Divisão Anti- Sequestro (Das), Fernando Moraes.

Torres chegou ao TCM pelas mãos do ex-presidente e delegado aposentado, Thiers Montebello, que deixou o cargo de conselheiro após completar 75 anos. Embora a notícia da troca de comando da Polícia Civil estivesse circulando há um mês no TCM, Torres disse ao GLOBO que ainda não recebeu qualquer convite formal do governador Cláudio Castro. O governador deve anunciar o nome do novo secretário na próxima segunda-feira.

Há uma semana em Lisboa, Torres participa de um seminário sobre segurança institucional, acompanhado do atual presidente do TCM, Luiz Antônio Guaraná, e outros conselheiros (David Carlos e Ivan Moreira.

— Estarei de volta nesse sábado. Não fui procurado pelo governador. Mas sou policial há 40 anos e delegado de primeira classe. Ser secretário seria coroar minha carreira. Por essa razão, não posso sequer comentar o que faria se fosse escolhido. Seria uma atitude antiética — disse o delegado ao GLOBO.

Antes de ser cedido ao TCM, Torres chegou a ser da cúpula da Polícia Civil, quando deixou o cargo de subchefe da Polícia Civil, o segundo na hierarquia da instituição. Na época, o comando da pasta era do delegado Álvaro Lins que, após deixar o cargo, foi condenado pelo crime de formação de quadrilha, mas o réu aguarda julgamento dos demais recursos.