Crispiniano Neto analisa debate em torno da manutenção ou não da alíquota de ICMS em 20% no RN – Foto: José Aldenir / Agora RN
O RN está novamente exposto a uma destas polêmicas geradas vez por outra pela baixa política, pela disputa menor, pelo jogo de empurra…
Falando em “Jogo de empurra”, vem à lembrança anedota acontecida com Dinarte Mariz. Contam que Grimaldi Ribeiro e Djalma Marinho discutiam Política, acaloradamente. Discorriam sobre filósofos ingleses e franceses sem chegarem a bom termo. Recorreram a Dinarte, que sentenciou: “Política é uns empurrando os outros”. “O velho tinha razão”. Seus herdeiros políticos não cuidam doutro mister que não seja empurrar, brigar, dar rasteira em quem estiver do outro lado, especialmente se o outro lado for um governo, onde não possam apojar-se nas tetas.
Hoje, se insurgem contra o ICMS, alguns dos que sempre surfaram nos “trens da alegria” tão frequentes nas décadas de 1970/80 provocando elefantíase folha de pessoal, pela janela, numa festa imodesta que ‘estatizou’ no grosso e no varejo familiares e apoiadores ancestrais das oligarquias que hoje estrebucham contra os 2% que precisam ser mantidos para que a máquina estatal não se torne insolvente, como foi encontrada pelo governo atual.
O cavalo de batalha dos deputados da oposição, no afã de atingirem o Estado para prejudicarem a governadora em 2024, ano de eleição, projeta uma perda de 700 milhões, dos quais, 420 são do estado, 175 dos municípios e 140 do FUNDEB. Querem prejudicar a Educação que tanto cobram da boca pra fora e ferem de morte as prefeituras que lhes dão votos… Tentam, estupidamente, matar a galinha que lhes dá ovos de ouro. Esquecem Agripino, o mais serelepe dos senadores de 2007 na derrubada da CPMF, arrancando 38 bilhões/ano da Saúde. O alvo era Lula. Mas Lula está presidente de novo e Agripino, no ostracismo.
Como diria Darci Ribeiro: “Detestaria estar no lugar de quem me venceu.”
Voltando à frieza dos números: A queda total, somado o ICMS e o FUNDEB que retorna para o estado, é de aproximadamente 470 milhões, sendo 230, dos municípios.
Em razão do percentual constitucional de 25% de suas receitas que estados e municípios precisam aplicar em educação, 175 milhões deixariam de ser aplicados nessa política pública em 2024, podendo tornar estado e prefeituras inadimplentes.
A Saúde requer aplicações de 12% e 15%. O Estado perde 63 milhões e os deputados sangram as prefeituras que lhes apoiam em 26.250.000.
A quem servem os inimigos dos 20%, que de fato são 2%?
Além dos próprios umbigos, servem ao atraso e à irresponsabilidade com o povo que dizem defender.
Uma amostra grátis do que Milei, o ‘BolsoTrump’ argentino chama de “anarcocapitalismo”, seja lá o que diabos isto for.
*Crispiniano Neto é poeta e jornalista.