A Teoria do Caos; leia opinião de Bruno Araújo

Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte (ALRN). Foto: José Aldenir/Agora RN

A ficção científica, seja na literatura, seja no cinema, tem apresentado ao longo dos anos uma série de conceitos próprios da ciência que brindam nossas mentes com a complexidade do universo. E um dos objetos de estudo mais buscado da atualidade é a “Teoria do Caos”. Do direito à gestão pública, das ciências exatas à política, o tema tem sido aplicado a diversas áreas do conhecimento humano.

Em resumo, a ideia é de que, em razão da complexidade de um sistema, uma pequena mudança no início de um evento pode trazer consequências enormes e desconhecidas com o passar do tempo. Um dos exemplos mais comuns dá conta de um indivíduo que se dirigia para um determinado local e por alguma razão, foi impedido por um episódio “x”, como uma batida de carro, um pneu furado ou um despertador que não tocou.

Em razão disso, não se matriculou, perdeu uma entrevista de emprego ou faltou o vestibular. Desta forma, a vida tomou outro rumo. Conheceu outras pessoas, teve outro chefe, outro emprego, outra universidade. Uma cadeia de eventos que resultou numa vida nova. Na política, não é diferente. Ela é feita diariamente de escolhas.

Seja a mais representativa, o voto do eleitor para um candidato A, B ou C. Seja a de um parlamentar ao aprovar ou rejeitar determinada matéria em votação. A Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte está diante de um desses nós em que o fenômeno do caos descrito pelo matemático e astrônomo francês Henri Poincaré (1854 – 1912) é válido.

A escolha por aprovar ou não a manutenção da cobrança de 20% do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) para o cidadão norte-riograndense, proposta pelo Governo do Estado e que enfrenta dificuldades na “Casa do Povo” deveria ser uma decisão com base na realidade da administração pública – assim como em outros 21 estados que aprovaram textos semelhantes –, mas tem se resumido a uma decisão política ou de autopreservação.

E muitos dos quais se colocam contrários a aprovação a este projeto, se mostraram prontamente favoráveis quando um gestor anterior promoveu reajustes semelhantes. Essa colocação permite avaliar sobre qual o tipo de influência que se deseja promover sobre um determinado sistema, sem levar em conta os efeitos colaterais, pois quando falamos em “Teoria do Caos” o produto é imprevisível.

Da escassez de recursos, atraso de salários, fim de incentivos fiscais e dificuldades no financiamento a serviços públicos em níveis estadual e municipais, o leque de possibilidades sobre o tornado que pode se abater sobre o cidadão potiguar é variado. E para isso, basta uma batida de asas do oportunismo.