No último “Conversa com o Presidente” do ano, na manhã desta terça, Lula levou a primeira-dama, Janja da Silva, para participar da sua live semanal e exaltou o papel de “agente política” da esposa, que “dá palpite nas coisas” que ele vai fazer, dá conselhos e compartilha suas angústias diárias.
Questionada pelo jornalista Marcos Uchôa sobre a vida em Brasília um ano depois de chegar à capital federal, Janja comentou que, quando o marido estava preso em Curitiba e os dois começaram a namorar, nunca passou pela sua estar no Palácio da Alvorada.
“Pensei da gente construir uma vida, mas hoje a gente está construindo uma vida juntos e pelo Brasil, e ontem eu fiquei caminhando e pensando nisso. É muito, muito, muito diferente de uma vida normal, de um casal normal, obviamente, mas é uma vida feliz, então, isso é o que importa, uma vida de muito amor”, declarou a primeira-dama.
Ela também disse que sabe os tempos em que é para não falar ou para conversar um pouco sobre o trabalho e relatou as diretrizes que recebeu do marido para ocupar o posto:
“No ano passado, a gente conversou um pouco e quando ele me disse assim, você vai fazer o que você quiser fazer, então eu vou fazer o que eu sei fazer, que eu estudei para isso, que eu trabalhei durante minha vida toda com alguns programas de responsabilidade social, sustentabilidade, alguns temas, então é sobre isso que eu sei falar e é sobre isso basicamente que a gente conversa, eu troco muito com ele. No final de semana, a gente sempre está sentado ali na piscina conversando e tal, tomando uma fresca, porque a semana é sempre muito agitada, mas tem momentos que é para falar de trabalho e tem momentos que é para extravasar e falar de outras coisas, então eu sei bem separar esses momentos”, afirmou a socióloga.
“Política de convivência”
Indagado sobre a parceria com Janja, o presidente disse que estabeleceu com ela “uma política de convivência que pode ser duradoura se a gente souber lidar com isso”. “Ou seja, eu não gosto de trazer para casa problemas do trabalho. Eu não gosto de sair do palácio às nove horas da noite com a cabeça cheia de discussão e trazer para casa e descarregar no travesseiro. Eu não gosto. Eu, às vezes, fico quieto e ela pergunta o que você tem, o que você está pensando, sabe, e você fala ‘eu não estou pensando em nada’, porque também eu não vou trazer para dentro de casa discussão”, disse Lula.
“Mas o que é importante nessa relação? Essa relação é importante porque a Janja me passa confiança. Ela me passa certeza, ela dá palpite nas coisas que eu vou fazer, ela fala, ela dá conselho, sabe? Então, isso é importante, você ter alguém com quem você compartilhar as tuas angústias diárias. E o que eu disse para a Janja é o seguinte, ou seja, ela não pode ser uma primeira-dama, tradicionalmente, como sempre foi a primeira-dama, sabe? Aquela mulher que acompanha o marido e que faz as coisas certinhas, faz uma política de visitação. Não, ela é uma agente política. Ela era antes de eu conhecer, continuou sendo quando eu a conheci, era agente política quando eu estava na prisão, foi agente política durante a campanha, ela tem que ser agente política”, acrescentou.
“É por isso que eu disse: ‘olha, você faz o que você quiser’. Cada um de nós sabe as nossas tarefas, as nossas missões. Ela não precisa de cargo para ser importante, ela não precisa de cargo para fazer o trabalho que ela quiser fazer, se ela quiser visitar alguém, visitar um estado, sabe, fazer visita a hospital, ela faz o que ela quiser, discutir os problemas das mulheres, os problemas das minorias”, complementou.
O presidente comentou ainda que Janja compreende o tipo de governança que ele faz, mas às vezes critica e fica aborrecida, citando na sequência a torcida dela pelo Flamengo e ele pelo Corinthians.
Radar – VEJA

