Inauguração do BRT Transbrasil: caminhões deverão ter restrições na Avenida Brasil; entenda

Depois de uma espera de nove anos — marcada por paralisações da obra, iniciada em novembro de 2014, e mudanças de projeto —, o BRT Transbrasil deve, enfim, ser inaugurado no dia 13 de janeiro. Mas, nessa reta final, informações repassadas em reuniões na Assembleia Legislativa e na sede da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET-Rio) provocaram a reação de empresários e entidades. Pelo planejamento da prefeitura, haverá restrições à circulação de caminhões na Avenida Brasil, principal via de acesso ao Rio e de escoamento de cargas.

A intenção do município é proibir caminhões das 4h às 22h nas pistas centrais da Brasil, entre Irajá e o Caju, onde o BRT ocupará duas faixas. Os veículos de carga também não poderão circular livremente pelas pistas laterais: ficarão vetados das 5h às 9h, no sentido do Centro, entre a Rodovia Presidente Dutra e o Caju; e das 16h às 20h, na direção da Zona Oeste, entre o Caju e a Avenida Brigadeiro Trompowski, na entrada para a Ilha do Governador.

Segundo o presidente da Associação Logística Brasil, André de Seixas, já foi pedida uma reunião com o prefeito Eduardo Paes. Ele não descarta ingressar com uma ação na Justiça para tentar garantir o acesso de caminhões à via expressa em todos os horários.

— Colocar os caminhões nas pistas laterais já representa um caos para a distribuição de cargas na cidade, no porto e no aeroporto. A situação piora ainda mais com as restrições de horários. Isso provoca aumento de frete, inviabiliza o descanso de motoristas, obrigatório por lei, cria problemas nos bairros com a distribuição de veículos e compromete o abastecimento de pontos comerciais, dentre outros efeitos — afirma Seixas.— Não houve transparência, audiência pública. Tudo está sendo imposto de forma autoritária.

Em seu site, a Federação de Indústrias do Estado do Rio (Firjan) considera que “a medida impacta a logística e aumenta o custo industrial fluminense, prejudicando a competitividade do Rio no cenário nacional”. A entidade avalia ainda que o deslocamento dos caminhões para a pista lateral da Avenida Brasil pode contribuir para o aumento dos roubos de carga, tendo em vista o histórico de alta incidência desse tipo de crime na região. “Com o maior risco, há maior necessidade do serviço de escolta e elevação do valor do seguro da carga, com impacto direto no custo do frete”, afirma.

Outra ponderação da Firjan, também relacionada ao valor do frete, é que, diante das restrições de acesso, as empresas podem ser obrigadas a aumentar sua frota para cumprir compromissos de entrega. Ela ressalta a importância do equilíbrio entre o funcionamento do Transbrasil e a circulação de mercadorias, sugerindo a utilização de apenas uma faixa exclusiva para o BRT.

Filipe Coelho, que assume em janeiro a presidência do Sindicato das Empresas do Transporte Rodoviário de Cargas (Sindicargas), espera que o plano seja suspenso.

— Não há com direcionar todos os veículos de carga para as faixas laterais e com horários restritos, concorrendo com ônibus e veículos de passeio, e não visualizar o caos que será instaurado — destaca Coelho. — Qualquer decisão que afete essa importante via precisa ser tomada após amplo debate com os setores produtivo, o que não ocorreu.

Já o especialista em transportes Ronaldo Balassiano, professor aposentado da Coppe/UFRJ, entende que o mais importante é que o Transbrasil funcione bem, aliviando outras vias, como a Dutra e a BR-040.

— BRT para andar vazio não tem sentido. Não adianta tirar uma faixa, se ele não funcionar. Claro, pode haver necessidade de ajuste. Mas, a princípio, não vejo como um problema as restrições para os caminhões — afirma ele.

Nem o presidente da CET-Rio, Joaquim Dinis, tampouco o gabinete do prefeito quiseram se manifestar sobre a restrição. Durante a Olimpíada, em 2016, caminhões tiveram horários específicos para circular pela Avenida Brasil. Conforme informou a CET-Rio, hoje existem restrições para o tráfego de veículos de carga na Linha Vermelha e nos túneis Rebouças, Marcello Alencar e 450.

A operação do Transbrasil deve ser gradativa. Pelo corredor, com 18 estações e dois terminais, devem circular aproximadamente 130 articulados. A estimativa é que, até 2030, o Transbrasil transporte 250 mil passageiros por dia. A faixa junto às estações é destinada aos articulados paradores. A segunda faixa é para os expressos, incluindo ônibus intermunicipais e interestaduais.

O Transbrasil também está ganhando o projeto Cores do Brasil, uma parceria entre a prefeitura, o Instituto CCR e o VLT Carioca. Grafites estão sendo concluídos nos 26 quilômetros do corredor, incluindo os muros próximos ao Terminal Gentiliza e a cinco estações do BRT: Into/Caju, Vasco da Gama, Benfica, Bonsucesso e Cidade Alta.