Contagem regressiva: clima em Copacabana já é de festa e expectativa para a virada

Ester Rosa, de 45 anos, chegou cedo em Copacabana 10h pra fazer campanha por uma vaga no BBB. — Foto: Roberta de Souza

A advogada Priscilla Bereanu, de 28 anos, advogada, ficou surpresa com a novidade todo o bairro da Zona Sul carioca é possível ver gente dando início às celebrações da chegada de 2024. Na areia, não faltam aqueles que já se acomodaram para garantir o melhor lugar possível para acompanhar de perto os shows que acontecem em dois palcos recheados de atrações estreladas. A cantora Teresa Cristina foi uma das primeiras a subir ao palco com clássicos do samba. Durante o dia, o sol não apareceu, mas isso não atrapalhou a animação de ninguém. Em meio a banhos de mar, rituais de fé e abraços cheios de esperança, as balsas de onde partirão os fogos na momento da passagem chamavam a atenção na orla. Por falar em chamar a atenção teve até gente tentando cavar uma vaguinha no BBB do ano que vem.

Ester Rosa, de 45 anos, chegou 10h da manhã nas areias de Copacabana. Mas o motivo não foi nenhuma das grandes atrações do réveillon, e sim fazer propaganda para entrar no BBB. Com cartões personalizados e banner, ela divulga a própria rede social e faz um apelo:

— Estou há 20 anos tentando entrar no reality, desde a época da Grazi. Já sou veterana no ano novo de Copa. Para o ano que vem desejo mais solidariedade e amor ao próximo, mas para 2025 o objetivo é entrar no BBB — diz ela esperançosa.

Ester Rosa, de 45 anos, chegou cedo em Copacabana 10h pra fazer campanha por uma vaga no BBB. — Foto: Roberta de Souza
Ester Rosa, de 45 anos, chegou cedo em Copacabana 10h pra fazer campanha por uma vaga no BBB. — Foto: Roberta de Souza

Se a casa do BBB é a mais vigiada do Brasil, o bairro de Copacabana não fica atrás nesse quesito. quem quer entrar na área da festa neste domingo precisa passar antes por bloqueios montados pela PM com câmeras de reconhecimento facial e detectores de metal. Garrafas de vidro estão proibidas. Tudo em nome da segurança. Em todo o perímetro, drones também vão atuar vigiando de olho na multidão e auxiliando o trabalho dos policiais.

— Ouvi falar sobre o reconhecimento facial e acabei de passar por ele. Acho que para a festa de hoje vai trazer mais segurança, apesar de quem entrou na praia mais cedo não ter passado. Nunca senti tanta necessidade dessa segurança quanto agora. Merecemos curtir nossa festa sem preocupação. Como moradora do bairro, sei das dificuldades que estamos passando em Copacabana — disse Vera Sampaio, secretaria, 65 anos.

Já a advogada Priscilla Bereanu, de 28 anos, advogada, ficou surpresa com a novidade

— Não sabia que estava rolando esse policiamento com reconhecimento facial. Acho bem legal esse trabalho de revista que estão fazendo em todas as ruas de Copa. A única coisa que ainda não nos acostumamos é isso de não poder entrar com as garrafas de espumante. Eles realmente não estão liberando. Acho válida qualquer medida de segurança que ajude a proteger a população — disse.

A advogada Priscilla Bereanu,  28 anos, ficou surpresa com as câmeras de reconhecimento facial — Foto: Maíra Rubim
A advogada Priscilla Bereanu, 28 anos, ficou surpresa com as câmeras de reconhecimento facial — Foto: Maíra Rubim

A Polícia Militar está passando um verdadeiro pente fino, durante as revistas. Nada escapa. No ponto de revistas da Rua República do Peru, em Copacabana, todo tipo de material considerado perfurocortante está sendo apreendido, incluindo facas, tesouras de unha e até mesmo barbeador descartável. De acordo com a PM, é proibido acessar a orla com essas objetos, mesmo que seja para cortar o peru ou o chester. As equipes de segurança estão revistando todo mundo que vai para a orla. O público que chega à praia reclama de que não pode ir à praia com espumante. Uma moradora da Avenida Atlântica foi ao mercado e não conseguiu voltar para casa com a bebida. Ela voltou ao mercado e pegou o dinheiro de volta.

O jeito para quem não perder o conteúdo da garrafa foi improvisar para garantir o brinde. Um casal de São Paulo, Gilmara Gomes e Danilo Silva, que enfrentou horas de viagem de ônibus para participar da festa, estava com uma garrada de espumante, um Brut Rose. Mas ao chegaram a poucos metros do palco precisaram, às pressas, colocar todo o conteúdo de quase um litro dentro de duas garrafas plásticas de água.

— Faz falta naquele momento da virada estourar um champangne. Ainda depois de sairmos de São Paulo e estarmos aqui pela primeira vez. É chato, mas vamos fazer o que? Agora é curtir do jeito que dá — afirmou Gilmara, enquanto segurava uma taça de plástico, comprada momentos antes do episódio.

O vendedor ambulante Humberto Siqueira estava preparado para vender cervejas e outras bebidas alcoólicas durante o réveillon, mas os planos mudaram quando morador de Niterói percebeu que a proibição de entrar com garrafas de vidro poderia ser mais lucrativa. Cada garrafa d’água de um litro e meio, ele estava vendendo a R$ 10, no dinheiro ou pix.

— Já consegui até um espumante Salton. Troquei por duas latas de cervejas, que trouxe para vender. As pessoas estão desesperadas. Vi até uma pessoa jogando whisky fora. Foi ai que me deu a ideia. Já comprei aqui perto, num deposito, mais de 15 packs, quem vem seis garrafas. Vendi tudo. Foi a melhor jogada —, afirmou o vendedor com espírito empreendedor

A medida é parte do maior esquema de segurança já montado para a festa.

— Tem dois tipos de equipamentos que estão funcionando a partir de hoje. Um é o reconhecimento facial que foi o implantado em toda a orla e faz parte do pacote de tecnologia do estado e da Polícia Militar, da orla do Leme a Guaratiba e dentro dos túneis, e que está funcionando desde cedo. Tem também o implementado nas barreiras de revista para entrada no Réveillon de Copacabana e que estará vigente somente esta noite e começou às 18h. Este está sendo testado somente hoje. O outro vai funcionar permanentemente do Leme até a Barra depois de hoje. Algumas informações já bateram no reconhecimento, mas eram falso positivo, como casos de quem teve mandados de prisão já cumpridos. O objetivo de nossa revista é fazer uma grande peneira e estamos trabalhando para termos um Réveillon mais tranquilo a cada ano. O trabalho que estamos fazendo agora é bem inédito — disse o coronel Luiz Henrique Pires da PM.

Quem se adiantou, passou pelos bloqueios e já colocou todas as energias para acompanhar a festa. O músico Ramon Januzzi, de 41 anos, de Itápolis, interior de São Paulo, foi um que chegou com a família às 11h para garantir lugar pertinho do palco:

O músico Ramon Januzzi e a família perto do palco — Foto: Maíra Rubim / Agência O Globo
O músico Ramon Januzzi e a família perto do palco — Foto: Maíra Rubim / Agência O Globo

— Já passei três réveillons aqui, é o melhor do mundo. Estamos aqui em frente ao palco desde as 11h para garantir nosso lugar. Meu grande sonho é poder subir nesse palco e cantar. Quero que as pessoas conheçam meu talento em 2024. Desejo paz e que coloquem Deus no coração, só assim as nações vão se entender e se respeitar.

Ivone Maciel joga flores no mar para Iemanjá na Praia de Copacabana — Foto: Ana Branco / Agência O Globo
Ivone Maciel joga flores no mar para Iemanjá na Praia de Copacabana — Foto: Ana Branco / Agência O Globo

A aposentada Ivone Maciel de Toledo, 74 anos, levou flores para homenagear Iemanjá neste dia 31:

— Como uma boa canceriana, desejo que minha família esteja bem e todos com saúde, com emprego. Eu venho em seguida! Espero que 2024 me permita fazer atividades com disposição, garra e saúde. Meu sonho para o novo ano é ir para Paris com minha neta que está aprendendo francês e ela me fez esse pedido. Eu e ela somente.

Como será a queima de fogos em Copacabana?

O modelo adotado para o espetáculo pirotécnico será o mesmo das últimas edições do réveillon. A queima de fogos será em dez balsas ancoradas ao longo da orla. Os fogos são fornecidos pela mesma empresa responsável pelos shows do Rock in Rio. Detonados enquanto são “regidos” pela maestrina Ludmylla Bruzzi, que estará acompanhada por uma orquestra sinfônica e integrantes de escolas de samba, o réveillon na praia também será de homenagens. Os promotores da festa vão dedicar parte da queima de fogos à rainha do rock, Rita Lee — ou padroeira da Liberdade, como preferia ser chamada —, que morreu de câncer em maio, aos 75 anos.

Esquema de policiamento — Foto: Arte
Esquema de policiamento — Foto: Arte

Como serão os shows na virada do ano?

Além da queima de fogos, haverá shows em dois palcos. O principal, em frente ao Hotel Copacabana Palace, terá entre as principais atrações Ludmilla e Gloria Groove. Já o segundo palco será dedicado ao samba e vai receber Jorge Aragão, Belo, Diogo Nogueira e Teresa Cristina.

Como será a segurança na Praia de Copacabana?

Além de um número 10% maior de policiais nas ruas do bairro, o acesso a Copacabana e a circulação pela orla serão monitorados por câmeras com capacidade de reconhecimento facial instaladas em postos de bloqueio, e em drones que vão sobrevoar a área da festa, segundo a Secretaria estadual de Segurança Pública (Sesp).

As imagens captadas em tempo real serão cruzadas com cerca de 100 mil fotos disponíveis num banco de dados com informações sobre 28 mil foragidos da Justiça. A ação tem o apoio do Detran e da Polícia Civil, que foi responsável pela atualização dos dados.

Como será a segurança na Praia de Copacabana?

Além de um número 10% maior de policiais nas ruas do bairro, o acesso a Copacabana e a circulação pela orla serão monitorados por câmeras com capacidade de reconhecimento facial instaladas em postos de bloqueio, e em drones que vão sobrevoar a área da festa, segundo a Secretaria estadual de Segurança Pública (Sesp).

As imagens captadas em tempo real serão cruzadas com cerca de 100 mil fotos disponíveis num banco de dados com informações sobre 28 mil foragidos da Justiça. A ação tem o apoio do Detran e da Polícia Civil, que foi responsável pela atualização dos dados.

Pessoas podem ser identificadas mesmo se estiverem usando óculos ou bonés, por exemplo. Ao todo, haverá 25 câmeras na orla de Copacabana e também em Ipanema, Leblon e Barra da Tijuca durante o réveillon.

Na festa de Copacabana, haverá 61 plataformas de observação, das quais 29 ficarão na faixa de areia e também próximas ao espelho d’água, 15 no canteiro central e 17 no calçadão. A corporação terá ainda quadriciclos no patrulhamento da praia e 64 carros empregados nas ações de prevenção nas ruas do bairro.

A PM promete reforçar o policiamento também nos bairros onde estão previstos grandes shows e queima de fogos. Na Praça Mauá, será montado um esquema de controle de acesso, com pontos de revistas com detectores de metais, assim como em Copacabana.