A política potiguar começa a redefinir seus polos de influência. Enquanto o Partido dos Trabalhadores (PT) mergulha em crise de imagem, com uma gestão estadual mal avaliada – agora reforçada a nível nacional pelo escândalo do INSS, que caiu no colo do presidente Lula e sua equipe – e dificuldades crescentes de articulação, é notório que o PSD de Zenaide Maia e Jaime Calado ocupa o vácuo deixado pela legenda historicamente dominante. Não se trata de um rompimento formal entre aliados de ocasião, mas o avanço do PSD já ameaça os planos centrais da cúpula petista: eleger Fátima Bezerra ao Senado.
O movimento de Zenaide e Jaime é silencioso e cirúrgico. Sem romper com o campo chamado progressista, mas também sem se submeter a alianças incondicionais, o PSD atua como centro político real. Diferente do PT, que ficou preso a uma estrutura de poder já desgastada, o PSD abre diálogo com setores variados, apresenta nomes viáveis nas disputas locais e conquista, de forma silenciosa e pragmática, prefeitos e eleitorados que antes estavam sob controle da esquerda.
A vitória de Jaime Calado em São Gonçalo do Amarante nas eleições de 2024 não foi apenas uma disputa municipal. Representou o enfrentamento direto ao PT na cidade mais simbólica da gestão estadual, e em um território que havia sido cuidadosamente moldado pelo partido nos últimos anos. A derrota de Eraldo Paiva, que buscava a reeleição com apoio do governo estadual, expôs as fragilidades do PT e fortaleceu o discurso de independência do PSD.
Importante lembrar: Jaime Calado foi secretário do Desenvolvimento Econômico no primeiro governo Fátima. Zenaide Maia foi eleita senadora em 2018 na chapa liderada por Fátima. Ambos não perdem tempo em deixar claro que estão ao lado de Fátima e anunciam que deverão estar juntos em 2026. A questão não é a união oficial, mas as discordâncias oficiosas que ocorrem. Além disso, ao contrário de seguir submerso à máquina petista, o casal percebeu o esvaziamento político do PT e reposicionou o PSD como alternativa viável de poder, já mirando as composições de 2026.
A movimentação não é à toa. Fátima Bezerra finaliza seu segundo mandato sob forte rejeição.
