A política potiguar ganhou mais um capítulo digno de roteiro: um dia após anunciar rompimento com o governo, o deputado estadual Neilton Diógenes (PP) apareceu ao lado da governadora Fátima Bezerra (PT) durante agenda oficial em Apodi, sua base eleitoral. O gesto, claro, desfez publicamente qualquer sinal de afastamento — e escancarou o que realmente pesou na balança: a manutenção dos cargos do governo que o grupo de Neilton ocupa na região.
Apesar da entrevista dada por Neilton a uma emissora de Natal, em que anunciava que não fazia mais parte da base governista, Fátima Bezerra já sabia de antemão que ele estaria presente no evento em Apodi. A governadora foi avisada e, mesmo ciente do duplo discurso do deputado, aceitou de volta o aliado sem constrangimento.

Nos bastidores, o gesto é interpretado como mais uma prova de que a política, muitas vezes, é um jogo de interesses que interessa aos dois lados. Neilton recuou, cedeu — como dizem por aí — aos apelos da parte mais sensível do seu corpo político.
Para aliados, o deputado agora é visto como uma espécie de “nota de duas cabeças”, capaz de circular entre o discurso oposicionista e a prática governista. Já outros, mais ácidos, preferem dizer que Neilton virou “cobra de duas cabeças” — difícil de confiar, mas muito útil para quem não quer perder espaço.

