A ausência do Secretário de Planejamento e Finanças de Parnamirim, Kelps Lima, nesta sexta-feira (14), na audiência pública destinada à apresentação do Plano Plurianual (PPA), na Câmara Municipal, não passou despercebida — e tampouco pode ser tratada como mero imprevisto. Em um momento que exige transparência, presença institucional e diálogo com a sociedade, o titular da pasta optou por deslocar-se a Brasília para ministrar uma palestra, priorizando sua atuação paralela como coach em detrimento de suas responsabilidades públicas.
Em seu lugar, enviou o secretário adjunto, que, infelizmente, demonstrou não possuir o domínio técnico e a segurança necessários para conduzir uma discussão de tamanha relevância. As lacunas nas respostas, a hesitação diante das perguntas e a evidente falta de preparo criaram um ambiente de desconforto e frustraram as expectativas de quem compareceu buscando clareza e responsabilidade na apresentação dos investimentos municipais.
TÁ NA HORA DE DIZER TCHAU!
A recorrente dissociação entre Kelps Lima e as responsabilidades inerentes ao cargo alcançou um ponto que ultrapassa o limite do aceitável. Quando um gestor se ausenta de uma audiência pública crucial — e o faz por razões de autopromoção — não se trata apenas de uma falha pontual, mas de um sinal claro de que suas prioridades pessoais já não convergem com as necessidades da administração municipal.
A ausência deliberada do titular da pasta, expôs a gestão Nilda Cruz a um constrangimento institucional desnecessário. Tal episódio recai diretamente sobre a imagem da prefeita, que depende de uma equipe comprometida, técnica e alinhada ao interesse público. Um secretário que não cumpre suas obrigações básicas compromete a eficiência e a coerência de todo o governo.
Há momentos na vida pública em que a permanência no cargo deixa de ser um sinal de força e passa a representar um obstáculo. Neste caso, a postura de Kelps evidencia que talvez seja mais honesto, sensato e responsável reconhecer que suas prioridades já não correspondem às exigências da função. A entrega do cargo seria não um ato de fraqueza, mas de respeito à administração, à prefeita e, sobretudo, à população que espera seriedade na condução dos recursos públicos.
Persistir nessa postura displicente e autocentrada não apenas prejudica a máquina administrativa, mas transmite à sociedade a percepção de que interesses particulares podem se sobrepor ao bem coletivo. E esse é um risco que nenhuma gestão comprometida pode aceitar.