Após o episódio envolvendo o prefeito de Mossoró e pré-candidato a governador Allyson Bezerra, boa parte da bancada federal do Rio Grande do Norte passou a andar de orelha em pé. O ambiente em Brasília, que já não era dos mais tranquilos, ganhou novos contornos de tensão política.
A reclamação protocolada pelo senador Styvenson Valentim no Supremo Tribunal Federal, endereçada ao ministro Flávio Dino, sobre supostos bloqueios orçamentários, tem potencial para provocar efeitos colaterais relevantes. Nos bastidores, a avaliação é de que a iniciativa do senador pode render muita dor de cabeça a nomes de peso da representação potiguar no Congresso Nacional.
Na lista dos que podem ser diretamente atingidos estão Robinson Faria, Benes Leocádio, Natália Bonavides, João Maia, Fernando Mineiro e Zenaide Maia. Todos passaram a ser vistos como possíveis alvos da ira política de Styvenson, que tem adotado um discurso cada vez mais duro e personalista na relação com colegas de bancada.
O contexto agrava o cenário. Com a crise envolvendo Allyson ainda sem respostas claras e com investigações em curso, qualquer movimento que exponha disputas internas por recursos, emendas e influência política tende a ganhar proporções maiores. O que antes era tratado como divergência de bastidores agora corre o risco de virar embate institucional, com repercussão jurídica e política.
Nos corredores do Congresso, a leitura é de que o gesto de Styvenson não foi isolado nem impulsivo. Há quem veja a ação no STF como parte de uma estratégia mais ampla de reposicionamento político, mirando 2026 e tentando delimitar adversários e aliados. O problema é que, nesse processo, a bancada potiguar como um todo pode sair ainda mais fragmentada e fragilizada.
O sinal de alerta está ligado. Em meio a escândalos, investigações e disputas por protagonismo, o RN assiste a um momento de forte instabilidade política, em que qualquer passo em falso pode custar caro — eleitoral e institucionalmente.