O Carnaval pode até não resolver crises, mas costuma dar uma trégua momentânea aos envolvidos no noticiário. Em Mossoró, a aposta é que a festa momesca ajude, ao menos por alguns dias, a aliviar a pressão sobre o prefeito e pré-candidato ao Governo do Estado, Allyson Bezerra, envolvido em um dos escândalos mais comentados do Rio Grande do Norte nos últimos tempos.
A pergunta que ecoa nos bastidores é simples: será que o período de folia vai mesmo dar descanso ao prefeito ou a avenida vai virar tribunal popular? Em tempos de Carnaval, máscaras são liberadas, personagens se multiplicam e o anonimato vira fantasia oficial. Não faltará quem sugira que Allyson saia mascarado, não para entrar no clima da festa, mas para evitar ser reconhecido em meio às marchinhas e provocações.
E como no Carnaval “vale tudo”, ao menos no campo da sátira, os gritos da multidão podem não ser exatamente elogiosos. Entre um confete e outro, apelidos surgem, ironias ganham força e a criatividade popular não costuma pedir autorização. Há até quem diga que uma fantasia de presidiário cairia como uma luva no enredo da folia, ainda que tudo fique restrito ao deboche típico desta época do ano.
Resta saber se haverá coragem para encarar a avenida ou se a opção será acompanhar o Carnaval à distância, esperando que, com o fim da quarta-feira de cinzas, o noticiário volte ao ritmo normal. Até lá, a folia segue sendo, para o prefeito, mais que uma festa: um teste de resistência política embalado por frevo, sarcasmo e muita ironia.
