A fala do secretário estadual da Fazenda, Cadu Xavier, joga luz sobre o que já era comentado nos bastidores: a renúncia da governadora Fátima Bezerra não é uma decisão fechada, mas condicionada ao cálculo político mais frio possível. Se não houver garantia de maioria na Assembleia Legislativa para manter o controle do governo, ela pode simplesmente ficar até o fim do mandato.
Ao classificar a entrega do comando do Estado à oposição como “suicídio político”, Cadu admite, sem rodeios, que a prioridade não é exatamente o rito eleitoral, mas a preservação do projeto de poder do grupo governista. A candidatura ao Senado, reiterada publicamente por Fátima, passa a depender menos da vontade pessoal e mais da aritmética parlamentar.
Na prática, o governo deixa claro que só renuncia se tiver certeza absoluta de que continuará mandando. Caso contrário, a regra da desincompatibilização vira detalhe e o discurso muda. Política em estado bruto: se o risco for perder o controle, a saída é abortada e o governo segue longe das mãos da oposição.