
O paradeiro da fortuna de Thiago Brennand, que enfrenta uma série de acusações por crimes contra mulheres, pode dar origem a novas investigações acerca da vida do empresário conforme avançarem os processos judiciais enfrentados por ele. Brennand teve nesta terça-feira sua primeira audiência na Justiça para responder a uma acusação por estupro de uma modelo americana. O julgamento terá continuidade em 21 de junho, na 2ª Vara de Porto Feliz (SP).
Na semana passada, a Justiça paulista determinou o bloqueio de R$ 47.510 de Thiago Brennand para pagar dívida com uma loja de móveis e itens de decoração de Sorocaba (SP). Mas o saldo encontrado em suas contas bancárias estava abaixo disso: foram localizados R$ 46.712.
Brennand já havia enfrentado outra determinação de bloqueio judicial no fim do mês passado, no valor de R$ 2,1 milhões. O empresário foi condenado em 2019 a pagar dívida com a administradora de um apartamento em Alphaville, na Grande São Paulo, que ele alugou entre 2013 e 2014. De acordo com os autores da ação, Brennand não pagou nem o IPTU nem os R$ 19.000 cobrados mensalmente pela locação do imóvel, além de ter danificado a pintura das paredes. O GLOBO apurou que esse bloqueio não foi efetivado até o momento.
Preso desde o fim de abril, Brennand ostentava uma vida repleta de regalias antes de ir parar no Centro de Detenção Provisória 1 de Pinheiros. O empresário vivia no condomínio de luxo Fazenda Boa Vista, situado a cerca de uma hora da capital paulista, ou em menos tempo quando Brennand fazia o trajeto a bordo de sua Ferrari F8 Spider, avaliada em R$ 4,34 milhões.
Brennand mantinha um flat no Itaim Bibi, bairro nobre da Zona Sul da capital paulista, e colecionava armas e obras de arte. Uma das mulheres que o acusam relatou ao Ministério Público que foi levada a dois restaurantes caros da região dos Jardins numa mesma noite quando saiu com Brennand. Em setembro, quando embarcou para os Emirados Árabes para evitar os mandados de prisão que surgiram contra si, o empresário ficou hospedado em um hotel cinco estrelas em Abu Dhabi.
A fortuna de Brennand vem de berço: sua família criou uma série de negócios em Pernambuco, dentre eles uma bem-sucedida rede de atendimento hospitalar que mais tarde teve unidades vendidas à Rede D’Or São Luiz. Thiago foi registrado como Thiago Antonio Fernandes Vieira, mas abandonou o nome inscrito em sua certidão para incluir o sobrenome da família materna, a mesma do reconhecido artista plástico Francisco Brennand (1927-2019).
Thiago e os quatro irmãos receberam uma antecipação de suas heranças em 2007, quando a mãe, Joana Tavares da Silva Fernandes Vieira e o pai, José Aécio Fernandes Vieira, aceitaram distribuir a maior parte de seus bens ainda em vida. Na ocasião, Thiago Brennand não aceitou receber parte de sua herança em participações societárias em empresas ao lado dos irmãos, exigindo receber sua fatia em imóveis e dinheiro.
Em novembro de 2019, os pais de Brennand registraram um novo testamento no 8° Tabelionato de Notas do Recife. Reservaram R$ 3,6 milhões para um neto, hoje com 16 anos, e dividiram o restante em quatro partes iguais para os irmãos de Thiago, que foi excluído da partilha.
A mãe de Brennand registrou no documento que decidiu deixá-lo de fora da divisão por “absoluta inexistência de qualquer afinidade” entre eles, relatando que o filho “sempre demonstrou hostilidade para com ela e desejo de com ela não se relacionar, tendo-a já agredido e injuriado verbalmente e por escrito de forma reiterada”. Segundo a mulher, o comportamento do filho a causou “insuportável nível de sofrimento”.
O testamento foi registrado em novembro de 2019, cinco dias depois de Brennand ter enviado um e-mail à mãe no qual a chama de “figura abominável”, “abjeta” e “nojenta”. “Muito foda ter essa coisa horripilante como genitora”, escreveu Thiago, segundo relatou a mulher.
Da mesma forma, o pai de Brennand também o deserdou no documento e relatou que vinha sofrendo ameaças do filho por conta de seu inconformismo com os planos de repartir a herança apenas entre seus irmãos.