Quatro meses sem depilação: um alívio, uma liberdade e um prazer. Por Nathali Macedo

Falar sobre os meus pelos pode parecer constrangedor em uma sociedade que finge que eles não existem

Falar sobre os meus pelos pode parecer constrangedor em uma sociedade que finge que eles não existem – e que provavelmente gostaria que eu também fingisse – mas não há nada de constrangedor nisso: eles existem e é no mínimo risível que algo tão banal ainda seja um tabu.

Fiz depilação com cera quente duas vezes na vida, em um passado em que eu ainda me preocupava em me adequar esteticamente (eu ainda não havia descoberto que há preocupações muito mais urgentes e úteis do que esta), e, garanto: aquilo pode se comparar tranquilamente a uma sessão de tortura.

Não é preciso argumentar neste sentido: basta pensar que o procedimento consiste em arrancar vários pelos de uma só vez, com uma pasta quente e grudenta.

“Frescura, eu aguento”, dizem algumas mulheres, porque elas ainda não sabem o quanto é maravilhoso não precisar se submeter a uma tortura ritualizada uma vez por mês (idem para o salto alto.) Aguentar a gente aguenta – mas precisa?

Eu entendi que não, e foi incrível.

Primeiro, você vê os seus pelos crescerem. Não é estranho que haja algo no seu corpo e você nunca o tenha visto de fato? Eu acho. É que quando os pelos começam a aparecer, ainda tímidos, dizemos ao espelho: é hora de tirar. E é assim que nunca vemos o nosso corpo em um estado de total naturalidade. Eu tenho visto meus pelos há quatro meses, e descobrir que eles existem, acredite, não dói nada (a não ser que você decida arrancá-los.)

Segundo, você começa a compreender que nenhum procedimento estético é determinante para a sua beleza, e que “cuidar-se” tem um significado diferente para cada mulher e não necessariamente significa recorrer a um padrão.

Terceiro, você aproveita os benefícios dos pelos à saúde. Comprovadamente, pelos pubianos protegem o PH vaginal e pelos nas axilas facilitam a liberação de hormônios – os feromônios, que, nos mamíferos, formam estímulos olfativos que têm relação, inclusive, com o desejo sexual.