A polícia canadense informou nesta terça-feira que irá abrir um processo para investigar os “kits de suicídio”, supostamente enviados a pessoas em Montreal, na província canadense de Quebec, por Kenneth Law, homem de 57 anos que responde a mais de doze processos e pode estar ligado a 88 mortes no Reino Unido, informou o jornal britânico The Guardian.
Segundo a polícia de Montreal citada pelo jornal, o investigado teria enviado pacotes contendo uma substância letal (cujo nome não foi revelado) para pessoas que corriam risco de cometer suicídio. A corporação pediu ainda que os moradores ficassem “vigilantes” ao longo da investigação.
Law foi preso em maio e enfrenta 14 acusações na província canadense de Ontário, sendo duas delas por aconselhamento ou auxílio ao suicídio e 12 recentes relacionadas a mortes. As vítimas teriam entre 16 e 36 anos.
Outras cidades também investigam mortes ligadas a Law, segundo o jornal britânico: duas na província de Saskatchewan investigam, cada uma, uma morte; a cidade de Calgary investiga duas mortes e uma divisão da Polícia Montada do Canadá na província de Colúmbia Britânica investiga seis mortes.
Estima-se que Law tenha enviado 1,2 mil pacotes para clientes em mais de 40 países, embora não se saiba quantos incluíam o veneno. Desse total, a polícia acredita que aproximadamente 160 foram enviados a endereços canadenses.
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Os “kits” enviados à Montreal poderiam conter os seguintes nomes nos rótulos: Academic/ACademic, Escape Mode/escMode, Imtime Cuisine, AmbuCA e ICemac.
Law também é investigado no Reino Unido e pode estar ligado a 88 mortes. Os casos no país vieram à tona pela primeira vez em uma investigação secreta realizada pelo The Times, citou a BBC, em abril.
A National Crime Agency (NCA), que coordenava as verificações, disse que 272 pessoas no país foram identificadas como compradoras de Law em um período de dois anos.
Com as mortes investigadas no Canadá e no Reino Unido, Law pode estar ligado a mais de 100 mortes.
Em comunicado citado pelo The Guardian, a polícia canadense disse que “aconselhar, encorajar ou ajudar uma pessoa a suicidar-se é crime previsto no Código Penal passível de prisão”, cuja pena pode chegar até 14 anos. A punição é a mesma aplicada pelo Código Penal britânico.
Na última sexta-feira, Law compareceu ao tribunal para uma audiência de custódia.