A administração Amauri Soares, atual diretor dos Estúdios Globo, está fazendo a emissora carioca colecionar polêmicas. Dessa vez, uma frente da liderança de religiões de matrizes africanas registrou uma denúncia no MPF (Ministério Público Federal) acusando a empresa de intolerância religiosa. Tudo isso ocorreu após uma determinação do ex-marido de Patrícia Poeta.
De acordo com o colunista Gabriel Perline, do portal IG, o documento aponta que o alvo das investigações é o próprio Amauri Soares. O diretor teria orientado os autores e criadores de novelas a não investir mais em tramas com temáticas espíritas e privilegiar as histórias evangélicas, como em “Vai na Fé”, folhetim das 19h substituída por “Fuzuê”.
O pedido de investigação contra o diretor da Globo surgiu com base em uma reportagem da colunista Carla Bittencourt, do Notícias da TV. Segundo a reportagem, publicada no mês passado, Amauri teria dado ordens para que enredos evangélicos fossem priorizados na emissora, abrindo mão de roteiros com viés espírita, já muito abordado pelo canal.
Estado laico
A demissão da autora a Elizabeth Jhin, especialista nesse tipo de novela, e o cancelamento do remake de “A Viagem” seriam alguns indícios da ordem do diretor. Além disso, Amauri Soares teria se reunido com autores da Globo e dito que o número de evangélicos tem crescido no Brasil, e que investir em obras com esse tema poderia atrair mais audiência.
O Ministério Público afirmou que já recebeu o material e analisa o conteúdo da denúncia. Caso ela seja acatada, o próximo passo é investigar se, de fato, as supostas ordens do diretor da TV Globo realmente configuram intolerância religiosa. Segundo a denúncia, a “proibição” imposta por Amauri “denota uma violação do Estado Laico e de seus direitos fundamentais, presentes na Constituição”.
Além disso, o documento reforça que, por ser uma empresa que atua perante uma concessão pública, a Globo não deveria atender a interesses religiosos. “Nenhuma instituição que faça uso de autorizações públicas para seu funcionamento deve fazer distinção de credo ou prática religiosa (…), principalmente considerando a TV aberta, um espaço democrático de livre acesso a todos, regulamentada por concessões públicas que devem atender aos interesses coletivos, não de grupos religiosos A ou B”.
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