Pai de Eliel recusa versão da investigação e diz que morte foi motivada por ódio: “Crime homofóbico”

Caso Eliel ( Advogado) Mossoró Juri Popular Forum Miguel Seabra Fagundes Natal RN (141)

Pai da vítima, Eliel Ferreira Cavalcante, de 57 anos, pede justiça. Foto: José Aldenir / Agora RN

O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN) iniciou nesta terça-feira 12 o júri popular dos três acusados pela morte do advogado Eliel Ferreira Cavalcante Júnior, de 25 anos, assassinado em abril do ano passado em Mossoró, no Oeste potiguar. O julgamento acontece no Fórum Miguel Seabra Fagundes, em Natal.

Na noite de 9 de abril de 2022, Eliel Cavalcante Júnior morreu após ser vítima de pelo menos nove disparos de arma de fogo. Ele estava conversando com seu namorado, Lucas Emanoel Pereira, na calçada do condomínio em que Lucas morava no bairro Boa Vista, em Mossoró.

Ao AGORA RN, o pai da vítima, Eliel Ferreira Cavalcante, de 57 anos, pede justiça. “A gente espera que a Justiça seja feita, a gente acredita no trabalho da Promotoria e que os réus sejam condenados”.

Na investigação, a Polícia Civil aponta que Eliel e Lucas podem ter sido confundidos com ladrões. Após a conclusão do inquérito policial, o Ministério Público do RN apresentou denúncia contra Ialamy Gonzaga, Francisco de Assis Ferreira da Silva e Josemberg Alexandre da Silva pelo homicídio qualificado contra Eliel Júnior e a tentativa de homicídio qualificado contra Lucas Emanoel. Entre os qualificadores, o meio que dificultou a defesa da vítima e o motivo torpe.

O pai da vítima, porém, acredita que o crime tenha sido motivado por ódio, já que o filho namorava outro homem. “Dizem que confundiram Eliel e o colega [namorado] como ladrões. Eles estavam conversando na calçada do condomínio onde o colega [namorado] dele morava, e um dos assassinos morava em frente a esse condomínio, então teoricamente conhecia eles. A gente não aceita a versão dos assassinos, nós acreditamos que seja um crime de ódio”, pontuou ele.

Questionado pela reportagem se acredita que o filho foi vítima de homofobia, Eliel confirmou que sim. “Apesar de que a Justiça não achou provas suficientes nessa linha de crime homofóbico, mas foi um crime de ódio. Eles foram abordados, perseguidos, e meu filho foi executado com nove disparos à queima roupa. Foi um crime cruel. O namorado não chegou a ser baleado, mas houve disparos em direção a ele. Ele escapou porque correu para o lado oposto que o meu filho”, relatou.

O pai contou ainda como tem vivido o período de luto desde a perda do filho. “Meu filho tinha 25 anos, tinha terminado o curso de direito há 2 anos, tinha passado na OAB mas não queria advogar, estava estudando para concursos. Inclusive ele tinha passado em um concurso da PM, e ele disse que era só o início. Ele tinha o sonho de ser promotor de Justiça, mas não conseguiu realizar. É muito difícil para a família, Eliel faz muita falta, era querido, educado e exemplar”.

Júri

Aurineide Gondim, advogada assistente de acusação, informou que o julgamento começou nesta terça-feira 12 com o depoimento da primeira testemunha e vítima de tentativa de homicídio, Lucas Emanoel. “Ele foi ouvido por videoconferência porque depois do crime ele mudou de estado”, revelou. Durante o depoimento, o jovem que é estudante universitário diz que hoje em dia tem lapsos de memória devido ao trauma sofrido.

De acordo com a advogada, o crime é considerado “bárbaro” e o júri deve se prolongar por mais um ou dois dias para colher oitivas das testemunhas de acusação e defesa. Nesta terça-feira 12, estiveram presentes no júri os acusados Ialamy Gonzaga e Josemberg Alexandre da Silva. Francisco de Assis está internado no Hospital Rafael Fernandes, em Mossoró, com um quadro de tuberculose, e poderá ser ouvido por videoconferência.

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Julgamento foi iniciado em Natal nesta terça. Foto: José Aldenir / Agora RN

De Mossoró para Natal

Em julho deste ano, o TJRN decidiu, por unanimidade, transferir o julgamento dos três acusados pela morte de Eliel Júnior e pela tentativa contra Lucas Emanoel de Mossoró para Natal. A defesa dos réus solicitou a mudança devido à grande repercussão na mídia local e ao envolvimento da sociedade mossoroense, temendo uma possível influência no julgamento. A família da vítima lamentou a transferência, argumentando que o crime ocorreu em Mossoró e o julgamento deveria ser realizado lá.

O advogado da defesa, apesar da mudança de local, mantém a expectativa de condenação com base em provas contundentes. Por outro lado, o advogado de um dos acusados acredita que a transferência para Natal promoverá um julgamento mais imparcial, garantindo um processo justo.

Familiares da vítima marcaram um ato para o início da manhã desta quarta-feira 13, em frente ao Fórum Miguel Seabra Fagundes, com o objetivo de cobrar justiça, segundo Eliel Ferreira Cavalcante.

Relembre o crime

Na investigação, a Polícia Civil aponta que Eliel e Lucas podem ter sido confundidos com ladrões. Na noite do dia 9 de abril de 2022, Eliel estava com seu namorado, Lucas, na calçada do condomínio em que ele morava no bairro Boa Vista, em Mossoró. Neste momento, dois homens identificados como Francisco de Assis Ferreira da Silva e Josemberg Alexandre da Silva abordaram o casal. Segundo a investigação, por acreditar ser um assalto, Eliel e Lucas jogaram pertences para dentro do condomínio e tentaram escapar. Do outro lado da rua, após supostamente ser acionado por Francisco e Josemberg, Ialamy Gonzaga efetuou dois tiros, um contra Eliel e outro contra Lucas.

O casal correu para escapar dos tiros. Enquanto Lucas foi para um lado da rua, Eliel foi pelo lado contrário onde foi perseguido pelo trio. Aos gritos de “pega ladrão” por parte dos acusados, um popular teria segurado Eliel e mais tiros foram disparados. Eliel foi atingido por nove tiros.