Sem jogar há quase um ano, Patrick de Paula avalia momento do Botafogo: 'Posso ser um líder'

Patrick de Paula (à direita, de marrom) foi, junto de dirigentes, reclamar com a arbitragem após a partida contra o Palmeiras — Foto: Alexandre Cassiano

Entre os vários altos e baixos que o Botafogo passou ao longo da temporada, talvez o primeiro momento de maior apreensão tenha sido na grave lesão sofrida por Patrick de Paula, em fevereiro. No Carioca, em clássico contra o Flamengo no Mané Garrincha, o meia rompeu diversos ligamentos do joelho esquerdo ao pisar em falso no gramado. Passados dez meses da contusão — há a expectativa de que Patrick volte à jogar entre abril e março —, o jogador falou com o GLOBO sobre como o período fora dos gramados mudou sua vida pessoal, o ano do alvinegro, a expectativa para o futuro e sonhos em geral.

Você teve um 2022 complicado, com uma paralisia facial, e em 2023 mais uma lesão séria. Como você se manteve firme psicologicamente?

R: Realmente não foram os melhores momentos, mas estive sempre falando com meu psicólogo, que eu tenho separado, e com o psicólogo do Botafogo, para estar sempre com a cabeça boa. Também estive perto de gente que está sempre comigo me apoiando.

Além dos procedimentos para se recuperar da melhor forma, como você aproveitou seu tempo livre na cidade?

R: Estou sempre com a minha filha (Helena, de cinco anos). Moro do lado da minha mãe e dos meus empresários. Tenho ficado mais com eles e em casa. Também jogo Fifa (jogo de futebol) com meus amigos para passar o tempo.

Hoje você mora no Rio com condições totalmente diferentes das que você tinha quando foi para a base do Palmeiras. Quais são as principais diferenças na forma de enxergar e viver a cidade?

R: Tudo que aconteceu na minha vida foi muito rápido. Sair de onde saí (Santa Margarida, na zona Oeste do Rio de Janeiro), correndo atrás de um sonho… Graças a Deus deu certo. Eu sempre quis lutar para ter uma vida boa, mas sempre que dá eu volto aonde eu morava para ver meus amigos. Hoje estou podendo propocionar uma vida boa para a minha família morando aqui perto da praia, vivendo boas coisas. Agora estou trabalhando para manter isso.

Como tem sido a experiência de ver sua filha crescer de perto? É uma oportunidade que a maioria dos jogadores não tem.

R: Foi um aprendizado para mim ter uma filha (aos 19 anos). Agora estou mais maduro, posso curtir mais. Naquela época eu era criança, sou ainda (risos), mas era mais, só queria jogar bola. Agora estou mais família, posso estar próximo da minha filha. Isso me dá muita inspiração. Quando me machuquei, a primeira coisa que eu pensei foi em passar mais tempo com ela.

Falando de Botafogo, você foi uma das primeiras contratações com a SAF. De lá, em março de 2022, até dezembro de 2023, o quanto você acha que o clube mudou em termos de estrutura?

R: O Botafogo mudou, sim. Estão fazendo um trabalho de longo prazo, investindo, fazendo coisas novas, então os jogadores têm mais possibilidades para trabalhar. O clube está pensando mais nos jogadores. Hoje todos olham para o Botafogo de forma diferente e os jogadores estão fazendo acontecer dentro de campo. Está muito bem em termos de estrutura.

Alguma mudança que gostaria de destacar?

R: Nessa questão eu nem me meto, porque só penso em jogar e trabalhar. Essa parte deixo para os caras lá tomarem conta. Eu vou só jogar.

Você teve a oportunidade de acompanhar toda a trajetória do Botafogo no Brasileirão de fora, mas ao mesmo tempo de dentro. O que acha que foi determinante para tudo ter dado tão certo, com o melhor primeiro turno da história, e depois ter dado tão errado para terminar em quinto?

R: Não falo que deu errado, porque o Botafogo fez um grande ano. Temos que valorizar isso. Infelizmente não veio o título, mas isso faz parte do futebol. Tudo pode acontecer. Mas não deu errado, deu certo porque o trabalho que temos feito é muito bom e nós valorizamos isso. Agora é esquecer (o que passou) e focar no próximo ano.

Mas o que acha que faltou para o título?

R: Cara, nós estivemos sempre juntos, fizemos de tudo e brigamos até a última rodada. O Campeonato Brasileiro é um dos mais difíceis, todos os times são muito bons. Nós não jogamos sozinhos, temos bons adversários. Fizemos um ano muito bom. Mas agora é esquecer o que aconteceu esse ano e aproveitar as férias, porque ano que vem tem mais.

Você nessa posição, de fora, mas dentro também, o que achou das quatro trocas e dos cinco técnicos?

R: Como falei, procuro não olhar para esse lado, mas jogar. Nessa praia de treinador eu não entendo. Comigo não tem essa. Estou ali para jogar e ajudar quem for e quem tiver de treinador.

E conhece o Tiago Nunes? Qual expectativa com ele?

R: Conheci no Botafogo. Expectativa de que dê muito certo, que a gente faça um bom trabalho, seja vencedor e tenha um grande ano, para sermos todos valorizados. Que o Botafogo volte a prateleira dos grandes.

No jogo contra o Palmeiras, você estava dentro do campo revoltado e reclamando da arbitragem. O que houve ali?

R: Queria estar dentro de campo ajudando meus companheiros. Não é muito a minha praia ficar reclamando, mas quando machuquei acabei virando mais um torcedor. Num momento de raiva, aconteceu tudo, todo mundo reclamando, decidi ir também.

Patrick de Paula (à direita, de marrom) foi, junto de dirigentes, reclamar com a arbitragem após a partida contra o Palmeiras — Foto: Alexandre Cassiano
Patrick de Paula (à direita, de marrom) foi, junto de dirigentes, reclamar com a arbitragem após a partida contra o Palmeiras — Foto: Alexandre Cassiano

Você acumulou diversos títulos no Palmeiras, e nesse ano foi muito falado que pode ter faltado ao Botafogo jogadores com experiência em decisões. Aos 24 anos, você acha que pode assumir um papel de liderança para ajudar a equipe a superar esse momento difícil que passou?

R: Não acho que seja um momento difícil, mas muito bom. É só pegar e ver o ano que fizemos. É como falo, dentro de de campo você acaba virando um treinador, então todos são líderes. Tento ajudar da melhor maneira possível jogando, não querendo falar ou gesticular. Jogando eu posso ser um líder também.

Em 2024, além de estar focado na parte física e mental, que Patrick de Paula podemos esperar?

R: Primeiro quero me recuperar bem, voltar a jogar, ter confiança, para poder ajudar o Botafogo, porque o clube e o grupo me ajudaram muito nesse momento da lesão. Muitos conversaram comigo. Podem esperar coisas boas, eu voltando a jogar e estando feliz dentro de campo.

Qual seu maior sonho profissional?

R: Hoje quero voltar a jogar. Foi uma lesão muito grave, nunca imaginei que passaria por isso. Mas tenho um grande sonho de jogar em grandes times, como o Botafogo, chegar na seleção, jogar a Copa do Mundo. Vou trabalhar para isso acontecer.

R: Meu sonho eu já realizei. Tenho minha família e minha filha próximos de mim. Ajudo minha mãe… Meu sonho já está realizado estando com eles.