Veja quem são os alvos da PF em operação que investiga fraudes em contratos no Rio

Vinícius Sarciá Rocha, irmão de criação do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro — Foto: Reprodução/Instagram

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quarta-feira, a Operação Sétimo Mandamento, que investiga possíveis fraudes em programas assistenciais do Estado do Rio. Três mandados de busca e apreensão foram cumpridos. Entre os alvos está um irmão de criação do governador Cláudio Castro (PL), Vinícius Sarciá Rocha, atualmente presidente do Conselho de Administração da Agência Estadual de Fomento do Rio de Janeiro (AgeRio). Também estiveram na mira da ação a subsecretária de Integração Sociogovernamental e de Projetos Especiais da Secretaria estadual de Governo, Astrid de Souza Brasil Nunes, e o gestor de Governança Socioambiental da Cedae, Allan Borges Nogueira.

Segundo a PF, os investigados teriam cometido crimes de organização criminosa, peculato, corrupção e lavagem de dinheiro, praticados na execução dos projetos Novo Olhar, Rio Cidadão, Agente Social e Qualimóvel. A ação desta quarta é, também, um desdobramento da Operação Catarata, da Polícia Federal, que investiga o governador Cláudio Castro por suspeita de desvios de recursos de contratos da Fundação Leão XIII. O Governo do Estado sempre negou as acusações.

Na operação, a PF afirma que foram identificados pagamentos de vantagens ilícitas variáveis entre 5% e 25% dos valores dos contratos na área de assistência social, que totalizam mais de R$ 70 milhões. As investigações seguem em sigilo.

A investigação mostrou ainda que todos os citados possuem ligação com o governo de Castro desde a época em que ele ainda era vice de Wilson Witzel. Veja quem são eles:

Vinícius Sarciá Rocha, irmão de criação do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro — Foto: Reprodução/Instagram
Vinícius Sarciá Rocha, irmão de criação do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro — Foto: Reprodução/Instagram

Vinícius Sarciá Rocha é filho de Wilma Correa Sarciá, madrasta de Cláudio Castro. Atualmente nomeado como presidente do conselho de Administração da AgeRio, Sarciá iniciou sua vida política ainda em 2018, quando transitava pelos bastidores dos gabinetes do Partido Social Cristão (PSC), antigo partido de Castro, à época ainda vice na chapa de Wilson Witzel (PSC). Depois da eleição, foi nomeado assessor de gabinete de Cláudio Castro. Sarciá trabalhou ainda para o então vereador Márcio Pacheco (PSC), para quem Castro atuou como chefe de Gabinete por 12 anos e chamava de “mentor intelectual”. O parlamentar, que também empregou o pai do governador, Clerton Castro, foi eleito deputado e o primeiro a ser denunciado no caso das “rachadinhas” na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), em 2019.

Allan Borges Nogueira, gestor de Governança Socioambiental da Cedae — Foto: Reprodução
Allan Borges Nogueira, gestor de Governança Socioambiental da Cedae — Foto: Reprodução

Allan Borges atuou como presidente da Fundação Leão XIII entre janeiro de 2019 e maio de 2020, período investigado pela Polícia Federal na ação desta quarta-feira e, também, na Operação Catarata. A Fundação ficava sob a supervisão da vice-governadoria, comandada por Cláudio Castro. Anteriormente, em 2021, quando Castro já havia assumido como governador, Borges foi subsecretário de Habitação do governo do estado. Em setembro deste mesmo ano, o empresário foi indicado para dirigente do Programa Casa da Gente, que tinha como objetivo “atender as necessidades de habitação da população de baixa renda nas áreas urbanas”. Borges, que atualmente trabalha como gestor de governança da Cedae, também coordenou o projeto Cidade Integrada, principal iniciativa social para favelas anunciada por Castro.

Astrid de Souza Brasil Nunes

Astrid de Souza Brasil Nunes atualmente ocupa um cargo comissionado na Secretaria de Governo do Rio, na pasta de Projetos Especiais, e recebe remuneração de R$ 12 mil. Ela foi nomeada em maio deste ano. No ano passado, atuou como chefe de gabinete na Secretaria de Planejamento. Em nota, a pasta afirma que, neste período, foi feita a nomeação do secretário Adilson de Faria Maciel, publicada no Diário Oficial em 16 de maio de 2023, e a exoneração, a pedido de Astrid, foi publicada no dia posterior, em 17 de maio. Em 2018, foi nomeada por Allan Borges — à época presidente da Fundação Leão XIII —, como presidente da Comissão de Seleção destinada à análise e julgamento de editais cuja finalidade era firmar parcerias com empresas sem fins lucrativos, as chamadas Organizações da Sociedade Civil (OSCs). Os processos com as empresas tinha como objetivo firmar projetos sociais dentro da Política Nacional do Idoso. Em 24 de janeiro 2019, Astrid foi novamente nomeada diretora de administração e finanças da Fundação Leão XIII, sob supervisão da vice-governadoria de Castro.

A assessoria de imprensa do governador informou que operação “não traz nenhum novo elemento à investigação que já transcorre desde 2019”. A nota diz ainda que “o fato de haver medidas cautelares, quatro anos depois, reforça o que o governador Cláudio Castro vem dizendo há anos, ou seja, que não há nada contra ele, nenhuma prova, e que tudo se resume a uma delação criminosa, de um réu confesso, a qual vem sendo contestada judicialmente. Por fim, o governador reitera a confiança plena na justiça brasileira”. O comunicado continua: “Fica claro, infelizmente, que estamos diante de uma “fishing expedition”, porque não há razoabilidade e nem sentido nas buscas e apreensões, tanto tempo depois de iniciadas as investigações. Quanto à quebra do sigilo fiscal e telemático, o governador recebe com tranquilidade a decisão”.

Também por nota, a defesa de Allan Borges destaca que ele não é réu no processo que resultou na operação e que “se colocou à disposição das autoridades para eventuais esclarecimentos”.

Em nota, Astrid Nunes disse que “repudia a ligação de seu nome a suspeitas de ilegalidade” e “que sua carreira na administração pública é respaldada, há 42 anos, por uma atuação responsável, ética e transparente, e que está à disposição das autoridades para os esclarecimentos necessários”.