Como são feitas as cenas de sexo em filmes e séries? Com a palavra, os envolvidos

A magia transmitida pelas telas pode ser tão fascinante que há quem acredite que as cenas de sexo do cinema e da TV são reais. “É tudo uma simulação, tudo falso”, responde a coordenadora de intimidade Jessica Steinrock em entrevista à CNN Brasil.

Talvez você não saiba o que faz uma coordenadora de intimidade – e não se preocupe, essa profissão é nova até mesmo em Hollywood. “Um coordenador de intimidade é, na verdade, muito parecido com um coordenador de acrobacias. Fazemos algo parecer que está acontecendo mesmo quando não está”, conta Steinrock.

Segundo a profissional, ela também trabalha como uma defensora do ator, se certificando que o elenco tenha seus limites respeitados e que haja consentimento atrás e na frente das câmeras.

Ela costuma compartilhar suas experiências e curiosidades do dia a dia na profissão no TikTo

Antes desse profissional existir na indústria cinematográfica, aconteceram casos polêmicos, como no filme “O Último Tango em Paris”, de 1973. Há uma cena chocante em que o personagem Paul, interpretado por Marlon Brando, estupra Jeanne, personagem de Maria Schneider, usando manteiga como lubrificante.

Schneider tinha apenas 19 anos na época, enquanto Brando tinha 48. Ela contou em uma entrevista ao Daily Mail, em 2007, que a cena não estava no roteiro original e que o ator teve a ideia de fazer a simulação pouco antes de começarem a filmar.

“Eu fiquei tão brava”, lembrou. “Marlon me disse ‘Maria, não se preocupe, é só um filme’, mas durante a cena, mesmo que o que Marlon estivesse fazendo não fosse real, eu chorei lágrimas de verdade”.

A atriz ainda disse que se sentiu humilhada e “um pouco estuprada” por Marlon e pelo diretor Bernardo Bertolucci. Depois da cena, Marlon não se desculpou. “Felizmente, foi apenas um take”, afirmou a atriz.

Esse é o tipo de situação que, com um coordenador de intimidade presente, não aconteceria.

“Vemos muitas dinâmicas de poder em jogo, onde é realmente difícil dizer não a algo, mudar de ideia ou ter essa necessidade atendida sem ter um defensor, alguém a quem recorrer, alguém a quem fazer perguntas vulneráveis”, explica Jessica Steinrock.

É por esse motivo que para se tornar este profissional é preciso de um conjunto de habilidades e treinamento específicos. Jessica é, inclusive, CEO de uma organização que treina novos profissionais.

“Pedimos que coordenadores de intimidade tenham uma sólida formação em saúde mental, defesa, consentimento e poder”, explica. “Queremos ter certeza de que as pessoas que estão no set possam realmente proteger, apoiar e defender os atores, os membros da equipe, qualquer pessoa que precise naquele momento”.

cnn