A ida do Republicanos no Rio Grande do Norte para a base do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União), tem como principal motivo a recusa do senador Styvenson Valentim (PSDB) em assumir o comando do partido no estado, mesmo sendo considerado peça estratégica para o fortalecimento do grupo rumo às eleições de outubro.
Pois bem!
A oferta a Styvenson segue a lógica das direções nacionais: partidos priorizam nominatas competitivas para deputado federal, que garantem bancada, fundo e tempo de TV, e, mais recentemente, passaram a valorizar também nomes fortes ao Senado.
Nesse cenário, o senador virou ativo político relevante, o que explica o convite para liderar a sigla no RN, inclusive dentro da articulação ligada à pré-candidatura ao governo de Álvaro Dias.
Apesar disso, ele afirma que a decisão não foi eleitoral, mas pessoal. “Todas essas mudanças têm limite. E o limite é o que eu acho moral, é o que eu acho ético”, disse-me nesta quinta-feira (26).
E foi direto ao justificar a recusa: “Podia ser 10 minutos de televisão, podia ser todo o fundo eleitoral que eu não faria isso. Eu não vou fazer algo que está desconfortável para mim.”
O ponto central envolve o histórico da legenda. Styvenson citou embates na CPMI do INSS com o dirigente Abraão Lincoln, o dono do Republicanos no RN, ao lado do filho Victor Hugo, que assumiu A vice-presidência do partido no RN. “Não é coerente, não é ético, não é moral eu entrar em um partido ao qual eu combati um dos integrantes.”
E reforçou: “Eu emparedei, apontei crimes. Como é que eu vou agora me juntar? Não tem coerência.”
Mesmo com possíveis ganhos políticos, ele manteve a decisão e elevou o tom: “Tem gente que precisa de tempo de TV e fundo eleitoral para se defender de acusações que ainda vão vir.”
Ao final, resumiu: “Não estou aqui para agradar grupo. Estou aqui para dormir com a consciência tranquila.”
Em tempo!
Abraão Lincoln foi preso em flagrante em 4 de novembro de 2025 durante depoimento à CPMI do INSS, no Senado, acusado de falso testemunho após, segundo a comissão, mentir sob juramento sobre sua relação com operadores do esquema, omitir informações sobre seu afastamento de entidades e apresentar contradições sobre movimentações financeiras.
Ele é apontado como figura central na investigação da Operação Sem Desconto, que apura o desvio de mais de R$ 220 milhões por meio de descontos indevidos em aposentadorias e um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo estruturas sindicais e articulação política.