Unidade citou ‘inviabilidade fetal’, que é a falta de capacidade do feto sobreviver fora do útero; família nega ter recebido essa informação
O Hospital das Clínicas, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), no bairro Santa Efigênia, região Centro-Sul de Belo Horizonte, afirmou que a bebê decapitada durante o parto tinha “malformação pulmonar, incompatível com a vida”. A família nega ter recebido essa informação da unidade. O caso é investigado por procedimento interno e também por inquérito da Polícia Civil, que apura possível homicídio culposo.
Administrado pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), o hospital atualizou a posição na noite desta segunda-feira (8). A gestão da unidade disse que o parto foi prematuro, com 30 semanas de gestação, e que a gestante evoluiu para “agravamento do quadro clínico, com elevação da pressão arterial e edema generalizado”.
“Devido à gravidade do quadro materno e à inviabilidade fetal [incapacidade do feto de sobreviver fora do útero], o corpo médico optou pela indução do parto”, prosseguiu. O hospital também diz que “se solidariza com a família” e que segue “à disposição dos parentes e das autoridades”.
“A unidade reafirma que a equipe realizou todos os esforços para garantir a vida da gestante e que está empenhado em esclarecer todos os fatos com transparência e agilidade”, completou.
Família nega ter sido comunicada
A reportagem procurou a família da bebê, que negou ter recebido essa informação do hospital. “O que disseram para a gente é que ela tinha três cistos no pulmão e que estavam drenando. Disseram que, quando ela nascesse, fariam uma cirurgia”, afirmou Aryane Santos, de 32 anos, tia da menina.
Segundo Aryane, a família sabia que a “cirurgia seria arriscada”, mas foi passado que “a bebê tinha chance de sobrevier”.
O corpo da menina atualmente está no Instituto Médico Legal (IML) dr. André Roquette, em Belo Horizonte, onde passa por exames. Em nota, a Polícia Civil afirma não haver prazo para liberação.
“O caso se reveste de grande complexidade e demanda estudos necroscópicos e laboratoriais detalhados. Os trabalhos já foram iniciados imediatamente após a chegada do corpo no IMLAR. Por ora, não é possível definir data exata da conclusão laudo. O corpo será liberado tão logo os médicos legistas definam que não serão necessárias coletas adicionais de tecidos para análises”, afirmou.
O que diz o CRM-MG
O Conselho Regional de Medicina do Estado de Minas Gerais (CRM-MG) afirmou que irá investigar o caso. “Em resposta a sua solicitação, o Conselho Regional de Medicina do Estado de Minas Gerais (CRM-MG) informa ter tomado conhecimento, pela imprensa, de desfecho desfavorável em parto realizado em Belo Horizonte, e vai instaurar os procedimentos administrativos necessários à apuração dos fatos.
Todas as denúncias recebidas, formais e de ofício, são apuradas de acordo com os trâmites estabelecidos no Código de Processo Ético Profissional (CPEP), tendo o médico amplo direito de defesa e ao contraditório. Em conformidade com o CPEP todos os processos correm sob sigilo.”
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fonte: O Tempo